Rio diz que objetivo nas autárquicas é “inverter tendência” e admite ser difícil vencer PS em 2021

Rui Rio foi questionado pela análise da situação política que fez perante os conselheiros, em que desdramatizou os resultados das legislativas e apostou nas autárquicas de 2021.

O presidente do PSD apontou esta sexta-feira como objetivo para as próximas autárquicas “inverter a tendência de queda” e recuperar muitas câmaras, admitindo que será difícil numa eleição ultrapassar a diferença para os socialistas e vencer o PS.

No final de uma reunião de mais de quatro horas do Conselho Nacional, que decorreu em Bragança, Rui Rio foi questionado pela análise da situação política que fez perante os conselheiros, em que desdramatizou os resultados das legislativas e apostou nas autárquicas de 2021.

“Temos de apostar a sério nas autárquicas para inverter a tendência de queda e ter uma tendência de subida real, não é ganhar mais duas ou três câmaras”, afirmou.

O líder do PSD salientou que os resultados do PSD têm vindo a cair, “um pouco em 2009 e depois o desastre em 2013 e 2017”, em que o partido alcançou a vitória em 98 municípios (sozinho ou em coligação) contra 161 do PS.

“Temos de começar a recuperar essa diferença”, disse.

Questionado se o objetivo é ou não ter mais câmaras do que o PS, respondeu: “O objetivo é inverter a tendência e começar a subir, se puder ter mais que o PS tanto melhor, mas para termos caído como caímos demorámos 12 anos, não vou dizer que são precisos outros 12 anos para voltar a subir, mas é difícil fazer tudo isso só em quatro anos”, admitiu.

“Se demorou três eleições a passar de 151 câmaras para 90 e tal, não queira numa só eleição passar de 90 e tal para 150. (…) Custa muito mais a cair e custa muto mais a subir”, reiterou.

Rio recusou que tal signifique uma admissão de derrota, reiterando que o objetivo é “conquistar muito mais câmaras”.

“Desde sempre digo que as autárquicas são a verdadeira implantação do partido no terreno”, afirmou, considerando que se o número de deputados pode variar facilmente, é pelo número de câmaras, juntas de freguesia e vereadores que se mede o poder do partido.

Já sobre as legislativas de 06 de outubro, em que o PSD obteve 27,7% dos votos e 79 deputados (menos dez do que na anterior legislatura), Rio diz que “aritmeticamente é uma derrota”.

“Se o PS tem mais votos e o PSD menos, obviamente o PS ganhou e o PSD perdeu”, afirmou.

No entanto, apontou a circunstância de ter defrontado um primeiro-ministro em exercício, a situação económica internacional favorável e ter tido uma “guerra” interna permanente.

“Há uma serie de circunstâncias que fazem com que o resultado seja um resultado positivo, embora em valor objetivo seja uma derrota”, considerou.

Rui Rio é recandidato ao cargo do presidente do PSD, em eleições diretas que vai disputar em 11 de janeiro, já tendo como adversários assumidos até agora o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e o vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, Miguel Pinto Luz.

Ler mais
Relacionadas

Presidente da CIP vai apoiar Miguel Pinto Luz na corrida à liderança do PSD

António Saraiva considera que Miguel Pinto Luz é “capaz” e reúne “um conjunto de características que ajudarão o PSD” a reposicionar-se na sociedade.

PSD: Leitão Amaro vai apoiar candidatura de Luís Montenegro

O ex-deputado do PSD António Leitão Amaro, apoiante de Rui Rio no congresso anterior, vai estar ao lado de Luís Montenegro na sua candidatura à liderança do partido porque “é significativamente melhor” do que o atual presidente.

PSD: Conselho Nacional reúne-se hoje para marcar diretas e congresso

O Conselho Nacional do PSD vai reunir-se esta sexta-feira em Bragança para marcar a eleição direta do presidente do partido e o próximo congresso, com o novo regulamento de quotas a prometer ser o tema mais polémico.
Recomendadas

Parlamento chumba valorizações salariais dos docentes do Ensino Superior

As quatro iniciativas legislativas, que abriam a porta à progressão na carreira de quase 10 mil docentes, contaram com o votos contra do PS e a abstenção do PSD, CDS-PP e Chega.

Parlamento rejeita votos de condenação do PCP e BE pelo “golpe de Estado” na Bolívia

Os dois votos foram chumbados com os votos contra do PSD, CDS-PP, IL e Chega. Já o CDS-PP apresentou um voto de condenação e preocupação pela situação em que se encontra a população boliviana, que foi também rejeitado com os votos contra do PCP, BE, PEV, PAN e Livre.

Esquerda chumba voto de congratulação pela equiparação dos crimes do fascismo aos do comunismo

O voto de congratulação apresentado pelo Iniciativa Liberal (IL) pela aprovação, no Parlamento Europeu, de uma resolução que condena de igual forma os regimes totalitários do fascismo e comunismo contou com um parecer favorável do PSD, CDS-PP, Chega e IL e a abstenção de PAN. Já o BE, PCP, PS e PEV votaram contra.
Comentários