Rui Rio estranha que auditoria da Deloitte fale “mais do BES do que do Novo Banco”

O líder social-democrata considera que “mais informação sobre o BES não é mau”, mas sublinha que o importante agora é perceber o que levou às perdas e sucessivos pedidos de injeções de capital do Novo Banco ao Fundo de Resolução, após a resolução do BES.

Manuel de Almeida/LUSA

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio, assumiu esta terça-feira “estranheza” pelo facto de a auditoria da Deloitte ao Novo Banco falar “mais do BES [Banco Espírito Santo] do que do Novo Banco”. O líder social-democrata diz que “mais informação sobre o BES não é mau”, mas o que interessa agora é perceber o que levou às perdas e sucessivos pedidos de capital ao Fundo de Resolução, após a resolução do BES.

“A auditoria [da Deloitte] ainda não conheço, mas acho estranho que se fale mais do BES do que do Novo Banco, porque agora o que está em cima da mesa para nós pagarmos é o Novo Banco. O BES já está pago e entregue à justiça”, afirmou Rui Rio, ao jornalistas, à margem de uma visita ao Hospital de São João, no Porto, para conhecer o plano de combate à pandemia e as medidas que estão a ser implementadas para o período de outuno/ inverno.

Sem conhecer ainda o conteúdo da auditoria, que foi entregue esta madrugada na Assembleia da República, mas que, ao que o Jornal Económico apurou, deu entrada como documento “classificado”, Rui Rio sublinhou que “auditorias são um bocado como as sondagens e valem o que valem”. “Fizeram-se auditorias à banca durante anos e de repente vemos a banca toda falida apesar de tantas auditorias e acompanhamentos dessas empresas”, disse.

Para o líder do PSD, “mais informação sobre o BES não é mau, mas não é neste momento aquilo que é premente”. “Sobre o BES já todos sabemos a desgraça que foi e pagámos a fatura que pagámos e, inclusive, há já uma acusação formulada pelo Ministério Público que agora segue a sua tramitação normal e que irá acabar, naturalmente com o julgamento”, salientou o presidente social-democrata.

O “fundamental”, na visão de Rui Rio, é perceber se, a partir do momento em que o Novo Banco foi vendido à Lone Star em 2017, o dinheiro que os contribuintes têm pago para o Novo Banco “está correto”. “Aquilo que suspeito é que o Estado tem pago ao Novo Banco uma fatura que vai muito para lá daquilo que era justo que acontecesse”, disse, sublinhando que “isso é que era preciso que a auditoria apurasse”.

“Aquilo que é fundamental no Novo Banco é que possa haver uma investigação do Ministério Público para se aferir em que condições é que essas perdas aconteceram e que obrigaram, à luz do contrato que o Governo fez de venda do Novo Banco, os contribuintes a pagar, de forma justa ou injusta. Essa investigação é que deve ser feita”, reiterou.

Segundo o Ministério das Finanças, a auditoria aos atos de gestão dos últimos 18 anos do BES/Novo Banco, entregue pela Deloitte, analisa 283 operações que geraram perdas de quatro mil milhões de euros. A auditoria será remetida pelo Governo à Procuradoria-Geral da República.

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