Rui Rio: “OE2022 é decidido entre PCP, Bloco e PS. Não temos hipótese de resolver nada”

Líder do PSD recorda que o “primeiro-ministro, foi o primeiro a dizer, ainda antes do OE2021, que as negociações eram todas à esquerda e que no dia em que precisasse de um voto do PSD para passar o Orçamento o Governo dele acabava”.

O presidente do PSD expressou esta quarta-feira a sua preocupação em torno das datas das eleições diretas do partido, por causa da votação final do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), mas recusou confirmar se irá apresentar uma recandidatura à liderança dos sociais-democratas.

Rui Rio antecipou um cenário de eleições legislativas antecipadas e admitiu que, apesar de ainda estar a analisar “com atenção” o documento “denso” que é a proposta de OE2022, qualquer que seja o voto do PSD (contra ou a favor) não será tido em conta pelo Governo de António Costa.

“Se o Orçamento não passar, como pode acontecer pelas notícias que temos vindo a ver e já era relativamente previsível, o PSD é apanhado em plenas diretas com um Congresso a realizar em janeiro ou fevereiro e completamente impossibilitado de disputar umas eleições legislativas taco a taco”, referiu.

“O chefe do Governo, o primeiro-ministro, foi o primeiro a dizer, há um ano e tal, ainda antes do OE2021, que as negociações eram todas à esquerda e que no dia em que precisasse de um voto do PSD para passar o Orçamento o Governo dele acabava. Não temos hipótese nenhuma de resolver nada”, afirmou, em conferência de imprensa.

“Tudo é decidido entre o PCP, o Bloco de Esquerda e do PS. Eles é que se encaminham desde 2015 e têm de resolver o problema”, declarou o líder da oposição aos jornalistas, na Assembleia da República.

A direção do PSD propôs hoje que as eleições diretas para escolher o presidente do partido se realizassem a 4 de dezembro, com eventual segunda volta a 11 de dezembro, e o Congresso entre 14 e 16 de janeiro. O calendário oficial será votado no Conselho Nacional do PSD.

Na opinião de Rui Rio, que se vai reunir com o Presidente da República na sexta-feira, o partido deve reunir-se depois da votação final do OE2022. “Se tivermos eleições legislativas os portugueses querem um PSD em condições de combater o PS e fazer umas eleições em condições normais”, defende, acreditando que este é “um facto político relevante, do interesse do partido e do país”.

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