Rui Rio quer Tribunal de Contas a auditar Novo Banco e admite aprovar proposta bloquista de comissão de inquérito

Presidente do PSD foi entrevistado no “Polígrafo” da SIC, tendo garantido que não haverá entendimentos nas autárquicas com o Chega. Quanto ao parceiro natural de coligação, Rio disse que “o CDS ainda não desapareceu completamente, mas está em dificuldades”.

Rui Rio no Polígrafo

O líder social-democrata Rui Rio defendeu que o Tribunal de Contas, “devidamente assessorado”, faça uma auditoria ao Novo Banco que “garanta segurança” aos contribuintes que já financiaram a instituição financeira com mais de sete mil milhões de euros desde 2014, apontando potenciais conflitos de interesses às principais auditoras. Numa entrevista ao programa “Polígrafo” da SIC, transmitida na noite desta segunda-feira, o presidente do PSD voltou a defender que o Estado “não dê mais um tostão ao Novo Banco enquanto não aferirmos a sua conta-corrente” e mostrou-se disponível para aprovar a proposta do Bloco de Esquerda para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.

Segundo Rui Rio, o Governo de António Costa tem responsabilidade no Novo Banco por ter feito o contrato de venda à Lone Star que prevê as transferências do Fundo de Resolução e por “ir pagando essas tranches sem cuidar de ver se o dinheiro era devido”. E, mesmo sem dizer “que houve crime de certeza”, considerou “inverosímil” que o banco tenha vendido imóveis com perdas em relação ao valor contabilizado “num mercado imobiliário que estava a subir”.

Ao ser-lhe perguntado se estará disposto a aprovar o Orçamento do Estado para 2021 caso o Executivo pretenda fazer novas transferências para o Novo Banco através do Fundo de Resolução, o que deverá ser recusado pelos partidos de esquerda, Rio limitou a responder que “esse é um assunto que não me diz respeito”, recordando declarações do primeiro-ministro António Costa em que terá dito que o seu Governo acabaria no dia em que não conseguisse aprovar orçamentos com o Bloco de Esquerda e o PCP.

Confrontado com a entrevista em que admitiu alianças com o Chega se o partido liderado por André Ventura ficasse mais moderado, Rio disse que tal só poderá acontecer com grandes mudanças de postura, discurso e propostas, afastando a possibilidade de qualquer coligação para as eleições autárquicas, que se disputam em setembro ou outubro de 2021, pois “ninguém muda em seis meses ou num ano”.

Quanto ao “parceiro natural de coligações” do PSD, Rui Rio disse que “o CDS ainda não desapareceu completamente, mas está em dificuldades”, apontando responsabilidades pela quebra eleitoral dos centristas à atuação da anterior líder, Assunção Cristas, nos debates quinzenais da anterior legislatura. “As pessoas não votam em quem só diz mal”, sentenciou, admitindo que “para o PSD é mais confortável ter um CDS forte do que um Chega forte”.

Elogios a Marcelo… e a Portas também

No que toca às presidenciais, embora tenha admitido que conhece militantes do PSD que não estão dispostos a votar em Marcelo Rebelo de Sousa em janeiro de 2021, o líder social-democrata garantiu que “a maior parte está disponível”, remetendo a decisão para o Conselho Nacional, que se pronunciará depois de o assunto ser discutido na próxima reunião da Comissão Política Nacional.

“Parece-me evidente que, estando na Presidência da República alguém que esteve na fundação do PSD, que foi líder do partido, que é Presidente da República num momento em que precisamos de estabilidade, e que quando se olha para Ana Gomes e André Ventura se vê que são candidatos de muita rutura, é natural que se opte pela ponderação”, disse.

Sobre as autárquicas, apesar de ter prometido que não iria “comentar nome nenhum para nenhuma câmara”, Rui Rio reagiu ao apelo do ex-ministro social-democrata Miguel Poiares Maduro para uma coligação PSD-CDS para a Câmara de Lisboa encabeçada por Paulo Portas. “É um dos políticos de referência e uma das pessoas mais bem preparadas para qualquer cargo em Portugal”, disse, repetindo que “logo se vê e está tudo em aberto”.

Por último, antes de confirmar que é o autor da maior parte das mensagens que partilha no Twitter – “as que têm mais piada sou eu que escrevo”, garantiu -, ao ser confrontado com críticas ao seu estilo de fazer oposição ao Governo, Rio garantiu aceitar “todas as opiniões quando são genuínas e honestas”. Reforçou, no entanto, que ainda faltam quase três anos para as próximas legislativas. “É como com os corredores de dez mil metros. Se puxam logo tudo nos primeiros dois mil depois ficam com a língua de fora”, rematou.

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