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Rússia: sanções à economia parecem estar a ter um efeito limitado

A Rússia está a enfrentar uma nova vaga de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, mas os especialistas tendem a considerar não é suficiente para travar a sua capacidade de financiar a guerra na Ucrânia.
Reuters
31 Outubro 2025, 12h26

“A recessão não significa quase nada para a estabilidade económica e política da Rússia nos dias que correm”, afirmava, citado pela agência Euronews, Vladislav Inozemtsev, cofundador e membro do Conselho Consultivo do Centro de Análise e Estratégias na Europa (CASE), um grupo de reflexão independente sediado na União Europeia.

A inflação continua elevada e está associada a um forte abrandamento económico. A inflação atingiu um pico de 10,3% em março e diminuiu para 8% em setembro, o que representa ainda o dobro da meta de 4% do Banco da Rússia, que tem vindo a reduzir de forma agressiva a taxa de referência – que está, depois do mais recente conte de 50 pontos base, nos 16,5%. Foi a quarta redução consecutiva e uma surpresa para os mercados, que esperavam uma pausa.

As elevadas taxas de juro e a grave escassez de mão de obra (com a taxa de desemprego a situar-se nos 2,1%, abaixo do limite considerado pela teoria como o nível de ‘não-desemprego’) limitaram o crescimento. A economia registou uma expansão homóloga de 1,4% no primeiro trimestre de 2025 e de 1,1% no segundo trimestre, depois de um crescimento anual de 4,1% em 2023 e 2024. Os analistas esperam que taxas de crescimento semelhantes a curto prazo, mas é possível que as recentes sanções sobre o petróleo conduzam a economia a uma recessão. A expectativa é um crescimento anual estável para 2025 e uma contração entre 1% e 1,4% em 2026.

Os EUA sancionaram diretamente as duas maiores empresas petrolíferas russas, a Rosneft e a Lukoil, e as suas subsidiárias, enquanto a União adotou o 19.º pacote de sanções, incluindo a proibição total do gás natural liquefeito (GNL) russo a partir de 2027 e a proibição das importações de petróleo e gás da Rosneft e da Gazprom Neft para o bloco dos 27.

Segundo o Kremlin, as novas medidas mais rigorosas não terão qualquer impacto na economia russa e na sua estratégia de guerra na Ucrânia. Os analistas dizem que a Rússia é um alvo particularmente difícil, dada a sua exportação de muitas mercadorias cruciais, incluindo petróleo e gás, fertilizantes, trigo e metais preciosos – que não acabaram, longe disso. De qualquer modo, as receitas da Rússia provenientes da produção de hidrocarbonetos continuam a diminuir, até devido à descida dos preços. Os analistas da Oxford Economics dizem que, em setembro, o orçamento recebeu 6,3 mil milhões de euros em receitas do setor, menos 25% do que no mesmo mês de 2024.

A falta de impacto dá-se, entre outras razões, porque Putin não paga a guerra com os dólares ou yuans que obtém das exportações, mas simplesmente colocando a funcionar as ‘maquinas de impressão’ dos rublos – ou através dos impostos sobre as empresas, que aumentaram 13,2% em outubro, em relação ao ano anterior.

De qualquer modo, outros indicadores e analises dizem que as perdas anuais russas com as novas sanções contra o setor petrolífero poderão ascender até 50 mil milhões de dólares – nomeadamente como consequência direta das sanções aplicadas pelos EUA aos dois gigantes do seu setor petrolífero, Lukoil e Rosnef. “Prevemos que, se a pressão sobre Moscovo continuar de forma sólida e coerente, as perdas causadas apenas pelas medidas recentemente impostas ascenderão a pelo menos 50 mil milhões de dólares”, escreveu o presidente da Ucrânia nas redes sociais.


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