Ryanair tem “falta de vergonha” quando critica ajuda dada à TAP, diz Pedro Nunos Santos

O ministro apontou que a empresa irlandesa é “subsidiada pelo Estado português para voar para o Porto, Faro, Açores e subsidiada por quase todos os países europeus”. A Ryanair disse que o empréstimo estatal concedido à TAP é “escandaloso”, considerando ser o “o maior desperdício de dinheiro de sempre em Portugal”.

Cristina Bernardo

O ministro das Infraestruturas criticou hoje a Ryanair por ter feito críticas ao auxilio estatal recebido pela TAP, quando a companhia low cost também recebe ajudas do Estado português.

“A Ryanair tem sido acusada pelos seus trabalhadores e condenada por não respeitar a legislação do nosso pais, em matéria de subsídio de ferias e de indemnização por despedimento. Há consequências gravosos para quem trabalha nestas companhias aéreas”, começou por dizer Pedro Nuno Santos esta quinta-feira.

“A companhia aérea interpôs uma ação contra o Estado português, ou diz que vai interpor” devido ao empréstimo estatal de 1.200 milhões de euros recebido pela TAP e aprovado pela Comissão Europeia.

O ministro apontou que a empresa irlandesa é “subsidiada pelo Estado português para voar para o Porto, Faro, Açores e subsidiada por quase todos os países europeus”.

“É um paradoxo e uma falta de vergonha que têm quando se dirigem ao auxílio para a TAP”, criticou Pedro Nuno Santos.

No início de setembro, o presidente executivo da Ryanair, Eddie Wilson, disse que o empréstimo estatal concedido à TAP é “escandaloso”, considerando ser o “o maior desperdício de dinheiro de sempre em Portugal”, em entrevista à Lusa.

Na audição parlamentar na comissão de economia, o ministro apontou que a Ryanair está a “queimar” 250 milhões de euros por mês, enquanto a Lufthansa “queima” 500 milhões por mês, disse, referindo-se ao facto destas companhias aéreas manterem várias rotas a operar, mesmo com poucos passageiros e sem dar lucro.

“Não temos capacidade” para enveredar por essa estratégia, assumiu, defendendo que é preciso fazer uma “gestão mais criteriosa”.

Pedro Nuno Santos também apontou que a Ryanair era a empresa que estava numa “situação mais favorável para enfrentar a crise”, referindo-se à almofada de liquidez de que disponha antes da pandemia da Covid-19.

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