Santander lidera crédito em Portugal e BCP é o maior emprestador a nível consolidado

A CGD perdeu a liderança no crédito a clientes em Portugal para o Santander. O banco liderado por Pedro Castro e Almeida ameaça ainda a liderança do crédito a empresas que pertence ao BCP, e está à frente do Novo Banco e da Caixa neste segmento. O Banco Montepio recupera algum terreno no crédito e depósitos.

Cristina Bernardo

Os resultados dos seis maiores bancos do sistema revelam alterações no ranking dos bancos.

A Caixa Geral de Depósitos já não é o maior banco em termos de concessão de crédito em Portugal. O banco do Estado foi ultrapassado pelo Santander Totta, em termos de crédito a clientes (bruto) na actividade doméstica (ou seja, sem contar com o crédito dado pelos bancos que a CGD tem no estrangeiro). Este indicador mede o montante de crédito bruto acumulado no balanço, sem o impacto das imparidades.

Em setembro a carteira de crédito bruta da CGD na atividade doméstica era de 41.347 milhões de euros, o que compara com os 38.558 milhões concedidos pelo BCP em Portugal, com os 42.542 milhões do Santander Totta e com os 25.243 milhões do BPI. O banco liderado por Pedro Castro e Almeida (que é o único que não tem atividade fora de Portugal, já que é uma filial do grupo bancário espanhol) registou uma subida de 5% no crédito bruto a clientes face ao mesmo período do ano anterior.

Mas a CGD argumenta que continua líder se for incluído no cálculo o crédito da atividade de leasing e factoring, segundo o Expresso.

Já o Novo Banco e o Montepio divulgaram apenas o montante de crédito consolidado. No caso do Novo Banco o crédito bruto (sem descontar as imparidades constituídas para a carteira) é de 25.927 milhões de euros e o do Banco Montepio somava em setembro 12.491 milhões.

CGD continua a liderar ranking no consolidado

No que toca aos balanços consolidados dos bancos, a 30 de setembro, a Caixa Geral de Depósitos continua a liderar o ranking.

Em setembro o montante de crédito a clientes, líquido de imparidades, do banco do Estado somava 48.314 milhões de euros e estava abaixo do grupo BCP que lidera o ranking dos bancos portugueses na concessão de crédito, no que toca às contas consolidadas (incluindo bancos no estrangeiro), ao totalizar 53.870 milhões de euros (+3,4%).

O Santander Totta surge então em terceiro em termos de crédito líquido, que ronda, segundo cálculos do Jornal Económico (já que o banco não divulga esse indicador), os 41.637 milhões de euros em setembro (+5,2% do que um ano antes).

O BPI reportou um montante de crédito a clientes líquido de 24.775 milhões (+5,6%). Tal como o Santander, o BPI também também é essencialmente doméstico. Isto, desde que decidiu alterar o método de consolidação do Banco Fomento de Angola (BFA), onde deixou de se apropriar de 48% da atividade e passou apenas a contabilizar os lucros do banco angolano que vão ser distribuídos.

Já o Novo Banco que apresentou as contas do terceiro trimestre na passada sexta-feira, revelou um total de crédito a clientes líquido de 24.113 milhões de euros (-3,8% face ao ano anterior).

Por fim o Banco Montepio reportou até fim de setembro um montante de crédito a clientes líquido de 11.612 milhões de euros (+1,3% que em setembro do ano passado).

Em termos de variação homóloga, a Caixa (-1,8%) e o Novo Banco (-3,8%) são os únicos que têm a carteira de crédito líquida em queda face a setembro do ano passado. Já o Santander Totta e o BPI são os que mais sobem (a carteira de crédito líquida cresceu mais de 5% em ambos). O BCP viu a sua carteira de crédito líquida subir 3,4% e o Montepio 1,3%.

Novo Banco, Montepio e BCP lideram no custo do risco da carteira de crédito

A evolução da carteira de crédito remete-nos imediatamente para o custo do risco de crédito, que é o rácio entre as dotações para imparidades registadas no período para risco de crédito e o saldo do crédito a clientes bruto.

O banco que teve de registar mais imparidades, nos nove meses, para o stock da carteira de crédito é o Novo Banco, ou não fosse o banco que herdou a carteira de crédito do BES. O custo do risco do banco liderado por António Ramalho está em 1,97%. Segue-se, também sem surpresas, o Montepio com um custo do risco de 1,5%.

O BCP está em terceiro lugar na tabela, ao nível do custo mais alto em imparidades da sua carteira de crédito, ao ter um custo do risco de 0,89%.

A melhor aqui é a Caixa com 0,29% de custo do risco, e seguem-se o Santander e o BPI ambos com um custo do risco de 0,38%.

Evolução do crédito vista pelos bancos

Os vários bancos realçaram diferentes aspectos da sua atividade comercial nos primeiros nove meses de 2020.

Na CGD a grande queda deve-se à redução do crédito ao sector público administrativo (-24% face a setembro de 2019). “A carteira de crédito a clientes totalizou 48.314 milhões de euros em termos líquidos, o que correspondeu a uma redução de 1,8%, face ao final de setembro de 2019, fruto da redução do crédito a entidades públicas e da venda de carteiras NPL registadas no último trimestre de 2019”, diz o banco. A Caixa tem vendido carteiras de crédito malparado, para reduzir o rácio de NPE (Non-Performing Exposure), o que contribui para que o banco perca a liderança no crédito.

Durante os primeiros nove meses de 2020 foram contratadas 14.033 operações de crédito habitação na CGD Portugal, no valor total de 1.554 milhões de euros o que corresponde a um aumento de 59 milhões no valor contratado (+4,0%) face ao período homólogo.

A CGD destaca ainda o crescimento do crédito a empresas em Portugal de 3,4%, mais 467 milhões de euros que em setembro de 2019, “reflexo do compromisso da CGD no apoio aos sectores mais dinâmicos na economia nacional, em especial no atual contexto”.

Ainda no que diz respeito à atividade de crédito, em agosto de 2020, no mercado nacional, a CGD atingiu
uma quota de mercado de crédito de 17,9%, fixando a de empresas em 14,2% e a de particulares para
habitação em 23,4%.

Já o CEO do Santander Totta, Pedro Castro e Almeida, salienta, na apresentação de resultados do terceiro trimestre, “a evolução dos depósitos, do crédito e da base de clientes que registaram um comportamento positivo”.

No Santander Portugal as quotas de mercado de novos empréstimos de crédito a empresas e habitação situaram-se em 17,4% e 25,0%, respetivamente, até ao final de agosto.

O Santander reportou ainda que, no âmbito das linhas de crédito com garantia do Estado, destinadas a mitigar os efeitos da pandemia, o Banco já aprovou um conjunto de operações no montante de cerca de 1,4 mil milhões de euros.

Por sua vez no BCP, “a carteira de crédito (bruto) consolidada do Millennium bcp ascendeu a 56.147 milhões de euros em 30 de setembro de 2020, evidenciando um aumento de 2,7% face aos 54.658 milhões apurados na mesma data do ano anterior, devido sobretudo ao desempenho da atividade em Portugal, mas beneficiando também do crescimento, embora mais modesto, registado na atividade internacional”, explicou o banco liderado por Miguel Maya.

O BCP realçou na atividade em Portugal, “o bom desempenho evidenciado pela carteira de crédito a clientes (bruto)”, que se refletiu “num aumento de 3,6% face aos 37.203 milhões de euros relevados no final de setembro de 2019, tendo alcançado 38.558 milhões de euros em 30 de setembro de 2020”. Este crescimento, explica o BCP, “deve-se em grande parte ao crédito concedido ao abrigo das linhas de crédito lançadas pelo Governo para fazer face aos impactos provocados pela pandemia associada à Covid-19, refletindo-se num reforço da presença do Banco junto das empresas”. O banco apresenta-se como líder nas linhas de crédito Covid-19, e até setembro tinha financiado as empresas ao abrigos destas linhas com garantia do Estado, num total de 2,4 mil milhões de euros, em 16.976 operações

“Importa também referir que o crescimento líquido da carteira de crédito aconteceu apesar da redução de 990 milhões de euros de NPE, resultante do sucesso da estratégia de desinvestimento neste tipo de ativos, levada a cabo pelo Banco nos últimos anos, e que foi mais do que compensada pelo crescimento de 2.345 milhões de euros registado pela carteira de crédito performing”, refere ainda o banco dirigido por Miguel Maya.

O BCP destaca assim a redução dos NPE de 0,9 mil milhões de euros, dos quais 1,0 mil milhões de euros em Portugal, “com níveis de cobertura confortáveis”.

O Millennium BCP diz ainda que a estrutura da carteira de crédito a clientes (bruto) consolidada manteve padrões equilibrados de diversificação, com o crédito a particulares e o crédito a empresas a representarem, respetivamente, 56,9% e 43,1% do montante total da carteira de crédito a clientes em 30 de setembro de 2020 (57,6% e 42,4% na mesma data de 2019).

Apesar da carteira de crédito subir, o banco teve menos receitas associadas a esses créditos. “O contexto desfavorável associado às taxas de juro situadas em níveis historicamente baixos continuou a condicionar fortemente o negócio comercial. Neste sentido, assistiu-se a uma redução do rendimento gerado pela carteira de crédito performing, pese embora se tenha registado um aumento dos volumes de crédito, fruto da promoção de iniciativas comerciais de apoio às famílias e às empresas com planos de negócio sustentáveis e do impacto dos empréstimos concedidos às empresas no âmbito das linhas de crédito garantidas pelo Estado Português, na sequência da pandemia provocada pela Covid-19”, conclui a instituição.

Já no BPI, o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa diz que a carteira total de crédito a clientes (bruto) aumentou 861 milhões de euros em relação a dezembro 2019 (+3,5% nos nove meses), para 25.243 milhões crescendo de forma transversal nos segmentos de crédito a particulares e a empresas.

“Nos últimos 12 meses, a carteira de crédito aumentou 5,4%. Sendo que a carteira de crédito a empresas cresceu 4,3% para 9.921  milhões em relação a dezembro de 2019 (+6,6% face ao período homólogo de 2019). A carteira de crédito hipotecário registou uma subida 3,7% de janeiro a setembro totalizando 11.803 milhões em setembro 2020. A produção de crédito hipotecário aumentou 37% em termos homólogos para 1.252 milhões de euros, correspondendo a uma quota de mercado na contratação de 15.4% (janeiro a agosto)”, diz o banco. A quota de mercado de crédito hipotecário em carteira do BPI ascendeu a 12.1% em agosto.

A carteira de outro crédito a particulares subiu 2,1%  desde janeiro, totalizando 1.703  milhões de euros, revela o BPI. A contratação de novo crédito ao consumo registou uma recuperação após o fim do confinamento. O valor da contratação de janeiro a setembro 2020, de 412 milhões de euros, é ainda assim 30% inferior ao período homólogo. A quota de mercado do BPI na contração de crédito pessoal no período foi de 12,5% (janeiro a agosto), diz o banco.

O banco liderado por António Ramalho viu a carteira de crédito líquida cair 3,8% para 24.113 milhões, sendo que a carteira de crédito bruta (sem contar com as imparidades) somou 25.927 milhões de euros. O Novo Banco realça os 1,1 mil milhões de euros de linhas de crédito garantidas concedidas a empresas, num universo global superior a 4.700 clientes, dos quais cerca de 85% já desembolsados.

O Novo Banco é por tradição um banco de empresas, embora esteja a ser ultrapassado pelo Santander que em setembro apresentou um total de 16.543 milhões de euros de créditos a empresas (+5,1% face a setembro de 2019), ao passo que o Novo Banco reportou 14.525 milhões de crédito a empresas em setembro, abaixo dos 17.200 milhões registados um ano antes. O Novo Banco apresenta-se como “uma importante presença no tecido empresarial português, que se confirma pelas quotas de mercado, nomeadamente, no crédito a Sociedades não Financeiras onde esta se eleva a cerca de 15,8%, e nos depósitos onde ascende a 13,9%”.

O banco refere ainda que “o crédito a clientes (bruto) registou um aumento de 531 milhões face a dezembro de 2019. O aumento observado  no crédito nos primeiros nove meses de 2020 inclui uma redução de -458 milhões de crédito não produtivo da atividade legacy. O saldo de crédito da atividade recorrente cresceu 4,1%, registando-se um aumento na carteira de empresas de +8,4%”.

Recorde-se que o BPI é o banco com o rácio mais baixo de NPE do sistema (1,9%), o que compara com 3,3% da CGD; 6,5% do BCP; 9,7% do Novo Banco (NPL neste caso); 2,8% do Santander Totta e 11,5% do Banco Montepio (aquele que tem pior qualidade da carteira de crédito). O banco liderado por Pedro Leitão ressalva no entanto “evolução positiva do rácio NPE1 para 11,5%, o que compara favoravelmente com o período homólogo, bem como a melhoria do rácio de cobertura dos NPE por imparidades que passa para 61,2% e para 91,1% (considerados os colaterais associados)”.

O Novo Banco é aquele que registou a maior redução do rácio de créditos não produtivos (NPL) para 9,7%, atingindo pela primeira vez um rácio de um só dígito, marca importante para um Banco que em 2016 tinha um rácio NPL de 33,4%. A 30 de setembro de 2020, a cobertura por imparidades do crédito não produtivo (incluindo disponibilidades
e aplicações em instituições de crédito) foi de 76,3% (mais 19,8 p.p. face a dezembro de 2019).

A imparidade para crédito totalizou 1,8 mil milhões, representando 7,0% do total da carteira de crédito, referiu em comunicado o Novo Banco.

Já o Banco Montepio realçou que o crédito a clientes (bruto) aumentou 251 milhões, até 30 de setembro de 2020,
face ao montante registado no final de 2019. “Esta inversão da tendência de redução é devida à aposta estratégica de crescimento nas PME e no “middle market”, cujo segmento (empresas) registou um incremento de 426 milhões, face a 31 de dezembro de 2019. Na componente crédito a particulares, o Banco lançou no final do terceiro trimestre uma oferta de Crédito Hipotecário, em parceria com a Worten (Grupo Sonae), que regista até à data um impacto francamente positivo”.

O banco da Associação Mutualista, refere que “o crescimento da carteira de crédito foi efetuado num quadro de uma
rigorosa disciplina de tomada de risco de crédito que, juntamente com as medidas que foram aprovadas e adotadas nas áreas de acompanhamento e de recuperação de crédito,  contribuíram para uma melhoria dos indicadores da qualidade da carteira de crédito”

 

CGD é líder nos depósitos e registou a maior subida, BCP lidera nos recursos de clientes

A CGD tinham em setembro 70.617 milhões de euros de recursos captados de clientes (cresceu 8,9% face a setembro de 2019). Em depósitos o banco liderado por Paulo Macedo é líder de mercado e soma 70.470 milhões (uma subida de 9%).

O BCP é o banco com maiores recursos captados de clientes. Ao todo em setembro somavam 83.284 milhões (+3,9%). Destes apenas 62.997 milhões são depósitos (ainda assim este montante traduz uma subida de 5,8%.

O BCP realçou o aumento de 3,1 mil milhões de euros nos recursos totais de clientes, face a 30 de setembro de 2019.

Em terceiro lugar no ranking dos recursos de clientes surge o Santander com 43.291 milhões (+2,4% num ano). Em depósitos o banco regista 36.301 milhões (+3,9%). “Os recursos de clientes totalizaram 43,3 mil milhões de euros, um incremento de 2,4% face ao mesmo período do ano passado, evolução suportada no acréscimo de 3,9% em depósitos”, diz a instituição.

Já o BPI aparece em quarto lugar com recursos captados de 35.954 milhões, dos quais 25.287 milhões são depósitos. O banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa viu os depósitos dispararem 11,5%.

O Novo Banco é aqui o quinto banco do mercado.  Em 30 de setembro de 2020 os recursos totais de clientes totalizavam 32.031 milhões de euros, o que traduz uma queda de 8,2% face a setembro do ano passado. Mas o banco destaca o crescimento de 1,4% nos depósitos face a 31 de dezembro de 2019, cujo peso no total nos recursos é de
82,2%. Os depósitos somam 26.324 milhões (e caíram 6,1% face a setembro de 2019).

Finalmente o Banco Montepio reportou 12.346 milhões de euros em recursos de clientes (+1,4% do que um ano antes), e tudo são depósitos (que aumentaram 1,8% face a setembro de 2019). “No que respeita ao negócio core, o desempenho dos clientes do retalho permitiu que os depósitos de clientes ascendessem a 12,3 mil milhões, devido à subida dos depósitos à ordem, que aumentaram 11% face ao valor de dezembro de 2019. Os depósitos de clientes no final do terceiro trimestre de 2020 totalizaram 12.346 milhões comparando com 12.525 milhões relevados em 31 de dezembro de 2019”, diz a instituição.

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