“Se destruírem a SIBS vamos ficar dependentes de Visa e Mastercard”, alerta presidente da SIBS

Vítor Bento respondeu à Autoridade da Concorrência e disse que a SIBS tem tido concorrentes e que a única razão para ainda manter uma quota significativa em Portugal nos serviços de pagamento é a sua eficiência.

Cristina Bernardo

O presidente da empresa de serviços de pagamento SIBS recusou hoje que esta seja um entrave à entrada de novos operadores e considerou que penalizá-la é abrir a porta ao controlo do mercado pelo duopólio Visa e Mastercard.

“A Autoridade da Concorrência queixa-se que em Portugal só existe um, mas em Espanha existiam três e fundiram-se com o acordo da Autoridade da Concorrência espanhola. Em Portugal, se destruírem o sistema nacional [de pagamentos, a SIBS] vamos ficar dependentes de Visa e Mastercard”, disse Vítor Bento no Parlamento, num grupo de trabalho sobre Serviços de Pagamento de Moeda Eletrónica.

O responsável da SIBS referia-se à Autoridade da Concorrência que, recentemente, considerou que a preponderância da SIBS no sistema de pagamentos em Portugal (detém a rede Multibanco e gere sistema de liquidação e compensação) reforça as barreiras à entrada e à concorrência no mercado (nomeadamente de ‘fintech’, empresas tecnológicas de serviços financeiros) o que, no limite, pode levar à criação de um monopólio no sistema de pagamentos português.

Vítor Bento disse que a SIBS tem tido concorrentes e que a única razão para ainda manter uma quota significativa em Portugal nos serviços de pagamento é a sua eficiência, considerando que os serviços de pagamento em Portugal são bem melhores do que na generalidade dos países da Europa e que os portugueses que vivem em Bruxelas (Bélgica) ou Frankfurt (Alemanha) sentem bem essas diferenças.

“Se o objetivo é criar-nos dificuldades, amanhã vamos estar dominados apenas por instituições que vêm de outros lados. Deixo este alerta porque é importante percebermos quais os problemas e não inventar problemas que não existem e aí, sim, criar problemas”, afirmou.

Já a presidente executiva da SIBS, Madalena Tomé, disse que em Portugal há 588 instituições de pagamento registadas no Banco de Portugal, que é quem concede autorizações, considerando que há “competitividade no mercado em Portugal de ‘fintech’ de sistemas de pagamento” e que a SIBS está a ser vítima de um “preconceito”.

Recordou ainda que está a haver um movimento de consolidação na Europa nas empresas que prestam serviços de pagamentos para conseguirem ganhar força e concorrerem, casos de Espanha ou do Reino Unido.

O Grupo SIBS tem por acionistas a maioria dos principais bancos que operam em Portugal. Cerca de 85% do capital social é detido por BCP, CGD, Santander Totta, BPI e Novo Banco.

Recomendadas

Una Seguros reforça capital em 30 milhões de euros

Este aumento de capital visa reforçar os rácios de capital da companhia de seguros. Segundo revela a Una Seguros, ex-Groupama, este aumento serve para suportar os “ambiciosos objetivos” de crescimento em Portugal.

Plano de Formação Financeira aposta na formação financeira digital e na sensibilização para a sustentabilidade

Conselho Nacional de Supervisores Financeiros quer reforçar parcerias e apostar no digital. O Plano Nacional de Formação Financeira para o horizonte 2021-2025 define três dimensões estratégicas de atuação: reforçar a resiliência financeira; promover a formação financeira digital; e contribuir para a sustentabilidade.

Santander escolhido pela Global Finance como o “melhor banco para PME” em Portugal

A Global Finance avaliou o desempenho dos bancos no período entre 1 de abril de 2020 e 31 de março de 2021, tendo por base critérios como o conhecimento dos mercados e as necessidades das PME’s, a variedade de produtos e serviços, o posicionamento de mercado e a inovação. O estudo abrangeu 66 países.
Comentários