Sector da construção em contraciclo aumenta investimento e VAB em 2020, dizem Associações

“O investimento em construção evidenciou-se com um crescimento de 4,8%, num ano em que o investimento total registou uma variação de -4,9%, em termos homólogos. Os dados são das associações do sector.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

O investimento em construção aumentou 4,8% em 2020, ano em que o investimento total no país caiu 4,9%, destacando-se como “o único ramo de atividade com crescimento” do Valor Acrescentado Bruto (VAB), destacaram esta sexta-feira as associações setoriais.

“O investimento em construção (FBCF – Formação Bruta de Capital Fixo) evidenciou-se com um crescimento de 4,8%, num ano em que o investimento total (FBC – Formação Bruta de Capital) registou uma variação de -4,9%, em termos homólogos. Também ao nível do VAB, que registou uma variação de -6,4% em termos médios, a construção destacou-se como sendo o único ramo de atividade com crescimento, apurando-se uma variação de 3,3%, face ao ano anterior”, referem as associações dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) e de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços (AECOPS) em comunicado.

Segundo salientam, estes números confirmam “a elevada resiliência do setor da construção” que, num ano marcado pela pandemia de covid-19, “resistiu e superou as estimativas formuladas”.

No que se refere ao volume de novos empréstimos concedidos aos particulares para aquisição de habitação, perfizeram 11.389 milhões de euros em 2020, o que correspondeu a um acréscimo de 770 milhões de euros (+7,3%) face a 2019.

Já o licenciamento total de obras de edificação e reabilitação registou uma “ligeira quebra”, de 3,4%, em resultado de uma estabilização nas construções novas (-0,5%), enquanto as licenças para obras de reabilitação recuaram 10,3% em termos homólogos.

Os dados relativos a janeiro deste ano indicam que o valor dos imóveis habitacionais – analisados pelo valor mediano de avaliação bancária realizada no âmbito da concessão de crédito à habitação – manteve a tendência de crescimento, com uma valorização de 6,1% em termos homólogos, para 1.170 euros por metro quadrado, o que corresponde a um novo máximo histórico.

Nas obras públicas, o total de contratos celebrados em janeiro no âmbito de concursos de empreitadas (considerando toda a informação reportada no Portal Base até ao dia 15 de fevereiro) aumentou 26% em termos homólogos e registou uma variação homóloga temporalmente comparável (utilizando como base de comparação a informação relativa a 2020 disponibilizada até 15 de fevereiro desse ano) de +76%.

Quanto aos concursos de empreitadas de obras públicas promovidos, diminuíram 29%, mas, apesar deste abrandamento em termos homólogos mensais, a média apurada nos três últimos meses apresenta um crescimento de 14% face a igual período de 2020.

Relativamente ao consumo de cimento no mercado nacional, em janeiro de 2021, e após um “expressivo crescimento” de 10,6% em 2020, registou um “ligeiro decréscimo” de 2,8%, em termos homólogos, para 262,2 mil toneladas.

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