“Seja acordo escrito ou verbal”. PS quer entendimento à esquerda

“O entendimento é que é importante sobre as principais matérias que regulação nos próximos quatro anos”, garantiu Carlos César, à saída da reunião com Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém.

O presidente do PS, Carlos César em conversa com o secretário-geral do partido, António Costa

O presidente do Partido Socialista (PS), Carlos César, disse esta terça-feira que os socialistas querem um “entendimento” entre os partidos de esquerda, independentemente de o acordo ser escrito ou verbal.

“Da nossa parte, o nosso empenhamento, é o de, em diálogo com esses partidos, construir uma base sólida de entendimento que permita que estes próximos quatro anos decorram com estabilidade, com tranquilidade”, referiu Carlos César os jornalistas, à saída do encontro com o Presidente da República.

“Seja acordo escrito ou verbal, o entendimento é que é importante sobre as principais matérias que regulação nos próximos quatro anos”, garantiu Carlos César, em declarações proferidas esta noite, no Palácio de Belém, em Lisboa.

O PS venceu as eleições legislativas de domingo com 36,65% dos votos e 106 deputados eleitos, de acordo com os resultados finais provisórios (falta só apurar os círculos da emigração). Sem maioria absoluta, António Costa manifestou logo disponibilidade para negociar com os parceiros que apoiaram o anterior Governo, mas também deixou avisos aos dois partidos. “Quem fixou como objetivo impedir uma maioria absoluta do PS tem agora a responsabilidade acrescida de contribuir para a estabilidade na próxima legislatura”.

“Os portugueses gostaram da geringonça e desejam a continuidade da atual solução política (…). Cumpre ao PS tudo fazer para garantir a estabilidade. Se outros não nos acompanharem, assumirão as suas responsabilidades”, referiu o dirigente socialista, em conferência de imprensa, no Hotel Altis, em Lisboa, na noite eleitoral.

Ao longo do dia de hoje, o Presidente da República ouviu todos os partidos que terão assento parlamentar: o Livre, o Chega, a Iniciativa Liberal, o PAN, o CDS-PP, o Partido Comunista Português (PCP), o Bloco de Esquerda (BE), o Partido Social-Democrata (PSD) e agora o PS. A delegação socialista que foi recebida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, incluía também a secretário-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, e a dirigente socialista Maria Antónia Almeida Santos.

Amanhã de manhã é a vez de António Costa começar a preparar  a ‘Geringonça 2.0’, com uma ronda negocial que começa às 10h00 com o Livre, terminando só depois das 18h00 com o BE.

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“Vamos reforçar todos os dispositivos de ajuda”, afirmou o governante, especificando que seis mil milhões respeitam a fundos de solidariedade, sete mil milhões para desemprego parcial (o designado ‘lay-off’), mais de mil milhões para exonerações de contribuições sociais e outro tanto para assumir custos de empresas com alugueres.

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Entre as medidas apresentadas, no campo da justiça fiscal, João Oliveira anunciou que os comunistas pretendem a “atualização dos escalões IRS, o aumento de mais um escalão neste imposto aumentando a progressividade do mesmo, bem como o aumento dos chamados valores do mínimo de existência e dedução especifica, permitindo cumprir o objetivo de redução da tributação dos rendimentos mais baixos, intermédios”.
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