Será que devemos desconfinar a carteira?

O que será que mudou nas nossas vidas? O que devemos adaptar e o que podemos retomar? Neste artigo vamos contribuir para a sua reflexão sobre estes e outros assuntos.

Entramos numa nova fase da reação à pandemia e existem tentações e riscos à espreita. O que será que mudou nas nossas vidas? O que devemos adaptar e o que podemos retomar? Neste artigo vamos contribuir para a sua reflexão sobre estes e outros assuntos.

Momentos de incerteza chamam pela prudência

A ciência económica fala-nos da reação do ser humano aos estímulos que sofre. É sabido que momentos de euforia costumam ser caracterizados por maior consumo e por uma menor preocupação quanto ao futuro. Momentos de incerteza costumam ser acompanhados de maior prudência. Em ambos, tocamos os extremos. Gostamos de mais ou gastamos de menos. Investimos demasiado ou não investimos nada. Costuma-se dizer que no meio é que está a virtude, mas o consumidor e Pai de família não pensa assim.

Nos dias que correm estamos num estado de grande incerteza. É certo que temos previsões catastrofistas que não acrescentam nada para além do pânico. Não sabemos o que será o futuro, apesar de termos boas indicações de outros países. Mas sabemos que Portugal atravessará um momento de incerteza. E a incerteza exige reflexão e muita prudência.

As famílias vão poupar mais porque querem

No contexto das famílias, a incerteza e a prudência costumam vir acompanhados do aumento da poupança. Simplesmente adiamos decisões de consumo e de investimento até que tenhamos mais dados e maior claridade quanto ao futuro. Sim, várias famílias vão ficar pior e não conseguirão poupar. Mas todas as outras deverão aumentar as taxas de poupança.

As famílias vão poupar mais porque precisam

Se por um lado vamos poupar mais porque queremos, por outro lado vamos ter de poupar mais porque precisamos. E precisamos porque nunca como agora a Segurança Social atravessou momentos de grande tensão. Os custos do combate à crise vão-se fazer sentir no Orçamento da Segurança Social e mesmo que nos façam crer o contrário, esta tensão apenas será compensada pelo aumento da receita (mais impostos) ou pela redução da despesa (menos apoios sociais). Talvez no curto prazo não sintamos nenhum, mas no médio prazo vamos ter de ser ambos. Logo, as famílias vão ter de poupar mais para acumular património para a reforma e para qualquer eventualidade.

Prioridade número 1

Nos próximos tempos a prioridade deverá passar por juntar algum património para fazer face a imprevistos. Se houve algo que esta crise nos ensinou foi que os imprevistos acontecem sempre, só não sabemos o dia e a hora. Infelizmente, muitas famílias foram confrontadas com esta realidade de imediato. Perderam os seus rendimentos e não têm poupanças que as valessem, mesmo apesar das moratórias de crédito. A prioridade tem de ser garantir a nossa segurança financeira, custe o que custar.

Prioridade número 2

Tendo garantido que temos um fundo de emergências é fundamental percebermos quais as restantes prioridades para garantir que o nosso orçamento familiar as espelha. Ao fazermos esta identificação iremos perceber que há despesas que temos de eliminar e há outras que devemos reforçar. Neste exercício perceberá que é possível ajustar o seu orçamento sem colocar em causa o seu estilo de vida.

Prioridade número 3

Pensar nos outros. Percebemos a necessidade de assumir uma postura de maior abertura aos outros. De pensar mais nas outras pessoas e no impacto que as nossas decisões têm nas suas vidas. Mostrámos um enorme respeito e solidariedade, mas não devemos ficar por aqui. Devemos reforçar esta postura e focarmo-nos no essencial. Se esta crise nos ensinou algo foi que as melhores coisas da vida não têm preço. Logo, por que não garantir que não desconfinamos a nossa carteira e que não voltamos à euforia do passado?

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