Sindicato apela à Antram para aceitar proposta articulada com o Governo

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) apelou este sábado à Antram para aceitar a proposta de compromisso que o Governo articulou com aquela força sindical, abrindo “caminho para a paz duradoura”, antes da reunião plenária no domingo.

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Miguel A. Lopes/Lusa

Em comunicado à imprensa, o SNMMP refere que o Governo deverá utilizar “as ferramentas que ainda tem ao seu dispor para chamar à razão a Antram”, fazendo “chegar uma proposta que cumpra mínimos de dignidade, por forma a ser apresentada aos motoristas de matérias perigosas” no plenário nacional de motoristas de cargas perigosas, agendada para as 16:00 de domingo, na Junta de Freguesia de Aveiras de Cima (Lisboa).

No comunicado, o SNMMP indica que a Antram recusou “ceder um milímetro face à sua proposta”, depois de 10 horas de reunião na sexta-feira, rejeitando a proposta articulada entre o Governo e a força sindical.

De acordo com o sindicato, a proposta abria mão do desdobramento para 2021 e 2022, centrando-se num plano de ganhos inferior aos 900 euros de salário base, mas que garantia uma nova dotação salarial, com garantia de que seria pago pelos empregadores e tributado pelo Estado.

O SNMMP refere que a proposta tem como objetivo reconhecer a especificidade dos motoristas de cargas perigosas, o grau de desgaste e risco associado ao trabalho, bem como a sua importância para a sociedade.

O sindicato das matérias perigosas refere também que a Antram não aceitou que o trabalho suplementar “tem que ser pago sem recurso a uma carta branca cujo resultado é a normalização de turnos até 16 horas, impostos com regularidade pelos patrões”.

Para o SNMMP, a maratona negocial que decorreu desde ontem entre as 16:00 e a madrugada de hoje, apesar de uma “aparente abertura inicial, redundou uma vez mais na intransigência que a Antram tem revelado em todo este processo, impondo a tudo e a todos a sua vontade”, salienta.

Os motoristas de matérias perigosas cumprem, assim, mais um dia de uma greve por tempo indeterminado, depois de, nesta madrugada, ter falhado um acordo mediado pelo Governo numa reunião que durou cerca de 10 horas.

A paralisação foi inicialmente convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), mas este último desconvocou o protesto na quinta-feira à noite, após um encontro com a Antram sob mediação do Governo.

No final do primeiro dia de greve, o Governo decretou uma requisição civil, parcial e gradual, alegando incumprimento dos serviços mínimos que tinha determinado.

Portugal está em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta paralisação para evitar que fossem afetados serviços essenciais à população.

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