Sindicato desafia Antram a pedir desculpas aos portugueses pelos impactos da greve

O porta-voz do sindicato afirma que a greve só se mantém porque a Antram não quer negociar.

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António Pedro Santos / Lusa

O porta-voz do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, afirmou que a greve só se mantém porque a Antram se recusa a negociar e desafiou os patrões a pedirem desculpa aos portugueses.

“Acho que [os portugueses] merecem um pedido de desculpas e acho que a Antram [associação de empresas] já devia ter tido a decência de pedir desculpa a estas pessoas”, afirmou Pedro Pardal Henriques, em Aveiras de Cima.

Para o porta-voz do SNMMP, “a greve só se mantém porque não querem [a associação patronal] negociar” com o sindicato.

Pedro Pardal Henriques refutou qualquer intenção de o sindicato desconvocar a greve e voltou a desafiar a Antram a sentar-se à mesa das negociações e a comparecer a uma reunião na Direção-Geral do Emprego e Relações de Trabalho (DGERT), onde o sindicato irá comparecer às 15:00 de hoje.

Questionado pelos jornalistas, o advogado voltou a defender que a investigação de que é alvo não fragiliza a luta dos motoristas e avança a hipótese de se tratar de “uma campanha para desviar atenções” da greve.

Referindo uma troca de emails com o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP), em que alega não lhe ter sido confirmada a existência de um inquérito, Pedro Pardal Henriques disse que “ou o DIAP me estava a mentir, ou a Procuradoria Geral da República agora está a mentir ou os órgãos de comunicação social estão a mentir”.

Ou, acrescentou, “existe uma quarta hipótese: existe uma campanha montada para tentar afastar o essencial e tentar desviar a atenção das pessoas para outras coisas que não têm nada a ver com estes motoristas”.

Pedro Pardal Henriques e Francisco São Bento, presidente do sindicato, reuniram-se hoje com motoristas, em Aveiras de Cima, para “definir novas estratégias” para o protesto.

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumprem hoje o quarto dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar uma requisição civil na segunda-feira à tarde, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

A greve foi convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

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