Sindicato Independente de Professores e Educadores: “Não concordamos com a decisão de não fechar as escolas”

O SIPE diz que o Governo optou por um “confinamento parcial”, uma vez que dois milhões de crianças e jovens continuam a circular livremente e receia que os sacrifícios económicos, psicológicos e sociais dos portugueses “de nada sirvam”.

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O Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) está contra a decisão tomada esta quarta-feira, pelo Governo de encerrar os estabelecimentos de ensino do pré-primário ao universitário, sendo até agora a única estrutura sindical a manifestar-se nesse sentido. “Não concordamos com a decisão de não fechar as escolas e receamos que os sacrifícios económicos, psicológicos e sociais a que os portugueses estarão sujeitos durante este período, de nada sirvam e não surtam qualquer efeito devido a esta opção”, afirma o sindicato liderado por Júlia Azevedo.

Fenprof e FNE, as duas maiores federações de sindicatos de professores, afetas à CGTP e UGT, respetivamente , concordam, no essencial, isto é, que as escolas se mantenham abertas, embora exijam condições para que isso aconteça, conforme o Jornal Económico noticiou.

O SIPE considera que as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, António Costa, “configuram um confinamento parcial uma vez que dois milhões de crianças e jovens continuam a circular livremente com tudo o que isso implica”. Ainda assim, e uma vez que a decisão está tomada vai exigir ao Governo medidas extraordinárias para proteção dos docentes e dos alunos.

A primeira medida é que os professores tenham acesso prioritário à vacina, dado continuarem expostos à Covid-19 durante o período em que o risco de contágio é o mais elevado desde o início da pandemia em Portugal.

O SIPE exige também a realização de testes rápidos nas escolas para pessoal docente e não docente, assim como para os alunos, medida que, considera, deveria ter entrado em vigor no início do ano letivo.

A atribuição aos docentes de um subsídio de risco correspondente ao serviço prestado durante este período de confinamento geral e o prolongamento do período de 30 dias de faltas justificadas, atribuído mediante apresentação de declaração médica, aos docentes que pertençam a grupos de risco para a Covid-19 são outras exigências da estrutura liderada por Júlia Azevedo.

O Sindicato Independente de Professores e Educadores defende ainda “melhores condições de segurança com reorganização de espaços e disponibilização de equipamento para proteção de alunos e professores contra a Covid-19 em todos os estabelecimentos de ensino”, nomeadamente máscaras descartáveis, acrílicos de proteção e dispensadores de álcool gel.

O confinamento geral tem como objetivo travar a pandemia de Covid-19 e entra em vigor às 00h00 de 15 de janeiro, sexta-feira.

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