O SPAC – Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil está disposto a dar o aval à privatização da Azores Airlines. Mas para isso, terá de ser verificadas as “idoneidades financeira, técnica e laboral do comprador e salvaguardados os direitos dos trabalhadores e o interesse público regional”.
O consórcio Newtour/MSAviation apresentou uma proposta de mais de 15 milhões de euros pela compra de 76% da companhia aérea. Neste consórcio, consta o gestor Carlos Tavares (ex-CEO da Stellantis) e o empresário Paulo Pereira da Silva (Quinta da Pacheca) que ficarão com 49% da empresa, se o negócio avançar.
“Os pilotos são responsáveis e estão genuinamente preocupados com o futuro da empresa e com as consequências que um eventual insucesso da venda pode ter para os trabalhadores, para a população açoriana e para a economia regional. O que rejeitamos é a aparente ‘chantagem’ de condicionar a apresentação da proposta a cortes prévios nas condições de trabalho”, disse hoje Frederico Saraiva de Almeida, vice-presidente do SPAC.
O SPAC estabelece 4 princípios para o processo de privatização da Azores Airlines:
1. Proposta vinculativa sem pré-condições laborais: “Quem quer e pode comprar apresenta proposta; só depois, com comprador definido e mandato dos Associados, o SPAC discute o que for necessário, com dados, metas e escrutínio”;
2. Gestão primeiro: “Antes de se pedirem “sacrifícios”, é indispensável aplicar medidas de gestão que corrijam ineficiências e reforcem a capacidade operacional da empresa”;
3. Diálogo pós-compra: “O SPAC está disponível para estudar soluções transitórias, condicionais e auditadas, transversais a toda a Empresa e sem afetar a retribuição base do Acordo de Empresa — soluções que serão sempre sujeitas à Assembleia de Associados”;
4. Entendimentos antes da venda: “Após a apresentação de proposta vinculativa, poderão ser procurados entendimentos de princípio antes da venda, condicionados à Lei e à aprovação em Assembleia de Associados, podendo inclusive ser formalizados pelo SPAC com o atual Conselho de Administração da SATA (parte legitimada), com eficácia diferida para a data da venda e, sendo adequado, com publicação em BTE”.
O SPAC também alerta para a “desinformação”, considerando existir um “padrão de ruído informativo que aparenta servir interesses ocultos contrários à privatização, minando a confiança pública no processo”, como a circulação de notícias sobre cortes salariais.
Sobre as declarações públicas de Carlos Tavares, “no sentido de que qualquer mudança deve ser feita com os trabalhadores e com acordo sindical”, o sindicato considera que é uma “posição convergente com a do sindicato e que abre espaço a soluções sérias e responsáveis, assentes em dados, metas e auditoria”.
O ex-líder da Stellantis disse esta semana que o hub da SATA é um “porta-aviões no meio” do Atlântico.
“O que a SATA tem de interessante é que é pequena. 400 milhões de receita, 10 aviões, 1,5 milhões de passageiros, um hub em Ponta Delgada. É uma empresa que se pode endireitar, porque tem uma dimensão humana”, afirmou Carlos Tavares em entrevista ao “Observador”, admitindo que possa vir a ser chairman da companhia.
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