Sindicatos reforçam o apelo à greve na EDP. Consideram aumentos salariais de 0,5% “uma miséria”

A federação intersindical reforçou apelo à greve na EDP nesta terça-feira, 20 de abril. Iniciativa surge depois de elétrica ter proposto um aumento salarial de 0,5%, que os sindicatos do setor consideram ser insuficiente. Fiequimetal reclama aumento salarial “digno” de 90 euros por mês, que sinaliza representar apenas 1% dos lucros de 2020.

A federação intersindical Fiequimetal reforçou hoje o apelo à greve na EDP nesta terça-feira, 20 de abril, realçando a necessidade de participarem na greve todos os trabalhadores, independentemente da filiação sindical. Trabalhadores consideram proposta da EDP para aumentos de 0,5% “uma miséria”.

“Perante a postura escandalosa da administração da EDP, que beneficia salários moralmente inaceitáveis, enquanto aos trabalhadores dirige «elogios públicos» e «pontapés privados», não podemos ficar indiferentes”, apelou a Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal), realçando a necessidade de participarem na greve todos os trabalhadores, independentemente da filiação sindical.

“Recusando que gozem com quem trabalha, a federação emitiu um comunicado exortando a que amanhã os trabalhadores mostrem o seu descontentamento e protestem, fazendo greve e participando numa concentração convocada para as 11 horas, junto à sede da EDP (Av. 24 de Julho, nº 12, em Lisboa)”, acrescenta a Federação Intersindical, dando conta de que nessa altura será entregue um abaixo-assinado por “uma nova e mais justa progressão” nas carreiras, que recolheu centenas de assinaturas de trabalhadores da EDP.

Os sindicatos afetos à CGTP destacam, em comunicado, que “além dos mais de 800 milhões, relativos a 2020, que passaram para o lado dos lucros (dos quais, mais de 753 milhões vão para dividendos), a administração vai pagar 2,4 milhões de euros, nos próximos três anos, ao antigo presidente (António Mexia), só para ele ficar sentado, e ao atual CEO, Miguel Stilwell de Andrade, a administração propôs e os acionistas aprovaram pagar 1,4 milhões de euros por ano”. Por seu turno, dizem, para os trabalhadores, o que está na mesa de negociação é um “aumento de apenas” 0,5%.

Para o Fiequimetal, “os trabalhadores dão tudo para manter a EDP líder em inovação, defendendo uma empresa que tem de voltar a ser fundamental para o desenvolvimento do País e da economia”. A lista de exigências  dos sindicatos do setor é encabeçada pelo “aumento salarial digno, de 90 euros por mês (aplicar este valor representa apenas um por cento dos lucros de 2020)”, à qual se juntam a garantia de progressão de carreira, ajudas de custo em valor igual para todos e no escalão mais alto, antiguidade (anuidades) para todos os trabalhadores e garantia de não afetação das pré-reformas e reformas e seus valores.

Na semana passada, os representantes da Fiequimetal consideraram a proposta da administração da EDP para aumentos salariais de 0,5% “uma miséria” e garantiram que vão continuar a lutar por um aumento que valorize os trabalhadores.

Uma delegação sindical da Fiequimetal reuniu-se a 14 de abril em frente à sede da EDP, em Lisboa, para uma conferência de imprensa para fazer o ponto de situação das negociações da tabela salarial que têm estado a decorrer com a administração, no mesmo dia da Assembleia Geral Anual de Acionistas.

“Durante seis reuniões [a empresa] andou a dizer que não pretendia aumentar salários, depois lá foi, timidamente, alterando e, neste momento, está com 0,5 [%], que é uma miséria para uma empresa que teve 801 milhões de euros de lucro, que está disposta, ainda hoje na assembleia de acionistas que já deve estar a decorrer, estão a decidir distribuir aos acionistas 755 milhões”, disse à Lusa Joaquim Gervásio, representante da Fiequimetal responsável pelas negociações com a EDP e trabalhador na empresa há 34 anos.

Os trabalhadores estiveram reunidos com a empresa na terça-feira passa durante várias horas, tendo a EDP proposto um aumento salarial de 0,5%, que o sindicato considera ser insuficiente.

“A nossa proposta inicial eram 90 euros e, por enquanto, é essa que estamos a manter, mas estávamos abertos a negociação, nós dissemos inclusive à empresa que não aceitávamos começar a negociar enquanto a empresa não pusesse na mesa pelo menos o equivalente àquilo que subiu o salário mínimo nacional, porque isto é uma empresa que tem trabalhadores muito especializados, são trabalhadores altamente especializados, necessitam de ser valorizados”, afirmo una altura Joaquim Gervásio.

Segundo o dirigente sindical, os trabalhadores, “que geram a riqueza”, sentem-se menos valorizados do que os acionistas, que “só compram ações uma vez” e recebem os dividendos todos os anos.

“Por outro lado, quando a EDP diz que está disposta a gastar 10 milhões de euros numa ‘startup’ qualquer, para descobrir qualquer coisa de inovador, e está disposta a dar 2,4 milhões de euros ao seu ex-gestor [António Mexia], apenas para ele ficar calado, para ele não contar os segredos da empresa a ninguém, é caricato, não é? É que não é meia dúzia de tostões, são 2,4 milhões de euros em três anos. É muito dinheiro e para os trabalhadores, zero, ou pouco mais”, apontou o responsável.

O salário mais baixo da EDP, que tem cerca de seis mil trabalhadores, é de mil  euros.

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“Temos desafiado todos os trabalhadores a participarem na greve, independentemente da sua filiação sindical, pois a unidade é muito importante para o resultado desta luta”, disse o sindicalista Joaquim Gervásio.
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