SITAVA exige solução “urgente” para estabilizar a Groundforce

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e dos Aeroportos defende a concessão de um empréstimo do Estado à empresa entre 30 e 35 milhões de euros. Apesar do crescimento contínuo da atividade da empresa nos últimos anos, em 2020, devido à pandemia, os prejuízos devem ter ascendido aos 20 milhões de euros.

Rafael Marchante/Reuters

O SITAVA – Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e dos Aeroportos exige uma solução “urgente” para estabilizar a situação da empresa de ‘handling’ SPdH/Groundforce, cujo capital é controlado pela companhia aérea nacional TAP.

“Desde há vários meses a esta parte, conforme temos informado regularmente (comunicados disponíveis no nosso ‘site’), que a SPdH/Groundforce se coloca com dificuldades de tesouraria, fruto da queda abrupta de actividades que as medidas de apoio e protecção ao emprego decretadas pelo Governo apenas atenuaram durante algum tempo”, alerta o SITAVA, em comunicado divulgado ontem, dia 22 de janeiro, ao final do dia.

De acordo com este documento, “são públicos os números que apontam para um previsível prejuízo no exercício de 2020 na ordem dos 20 milhões de euros”.

“É público também que a empresa, desde março de 2020 (há quase um ano!) apresentou à ANAC [Autoridade Nacional da Aviação Civil]/Governo um conjunto de medidas de curto e de médio prazo, que considerava essenciais para a sustentabilidade da SPdH/Groundforce. De entre essas medidas, destacamos um pedido de empréstimo de entre 30 e 35 milhões de euros, que é, reconhecidamente, a solução ‘menos má'”, sublinham os responsáveis do SITAVA.

Segundo este sindicato, “a este propósito, importa destacar que a empresa não tem endividamento bancário à data e que terá subjacente também a duração das licenças e dos contratos com os principais clientes, nomeadamente com o principal, a TAP”.

“Desde março, passaram dez meses, o Governo não aprovou medidas específicas para o sector e a SPdH/Groundforce foi sendo ’empurrada’ de Ministério para Ministério, não estando a situação resolvida à data de hoje, o que tem levado mês após mês a uma instabilidade permanente no que toca ao cumprimento dos compromissos salariais e fiscais. Não é admissível que, ao fim destes meses todos, haja quem se entretenha em jogadas de bastidores esquecendo que estão em causa 2.400 famílias”, denunciam os responsáveis do sindicato.

O referido comunicado avança ainda que “o SITAVA tem estado a acompanhar em permanência esta situação, mantendo contactos regulares com a tutela que tem assumido, desde sempre, que a SPdH/Groundforce não era uma empresa ‘preocupante'”.

“Na última reunião, no passado dia 15, foi reafirmado que o Governo estava empenhado na solução do empréstimo que seria a solução ‘menos má’, nesta fase, porque não implicaria alterações na estrutura accionista e a empresa não entraria no perímetro de maioria de capital da TAP, com todas as implicações que isso significaria neste momento e que também estão na ordem do dia, num ataque sem precedentes à contratação colectiva e aos direitos dos trabalhadores da TAP, da Portugália e da CateringPor”, revela o comunicado em questão.

Os responsáveis do SITAVA salientam ainda que, “nessa mesma reunião, tivemos oportunidade de explanar o que tem sido a evolução dos principais indicadores da SPdH/Groundforce entre 2010 e 2018, deixando claro e inequívoco que a empresa vinha numa trajectória de crescimento e de lucros recorde até 2019”.

“As dificuldades que a SPdH/Groundforce hoje apresenta devem-se, indiscutivelmente, aos efeitos da pandemia, sendo, portanto, conjunturais e não estruturais. É bom que todos tenhamos isso em atenção. Dado este quadro, apelamos, pois, à serenidade, ao bom senso e ao realismo por parte de todos, sem cedências aos populismos que hoje estão ao virar de cada esquina”, conclui o comunicado do SITAVA.

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