A entrada do BPCE, com sede em França, no mercado português através da aquisição anunciada do Novobanco poderá intensificar a concorrência. Isto é particularmente relevante, considerando o setor bancário altamente concentrado em Portugal. A conclusão é do S&P Global Ratings’ outlook report, sobre a banca portuguesa em 2026.
A agência de notação financeira considera que a estrutura do mercado bancário português, historicamente muito concentrada, prepara-se para uma mudança significativa. A S&P destaca que “a entrada do grupo francês BPCE em Portugal, através da aquisição anunciada do Novobanco, poderá intensificar consideravelmente a concorrência” e que este novo dinamismo “poderá forçar as instituições domésticas a reverem estratégias para manterem as suas quotas de mercado”.
A agência de notação financeira S&P Global Ratings antevê ainda um cenário de resiliência para o setor bancário nacional, sustentado pelo dinamismo económico e por rácios de eficiência acima da média europeia.
Banca portuguesa mantém “boa forma” em 2026 com rentabilidade sólida e economia a crescer.
Segundo a S&P Global Ratings o setor bancário português deverá entrar em 2026 com indicadores de solidez robustos, beneficiando de um contexto macroeconómico mais favorável em Portugal do que na média da Zona Euro.
Segundo as mais recentes perspetivas da S&P Global Ratings, os bancos nacionais deverão manter a sua rentabilidade em níveis elevados, apoiados por um mercado de trabalho resiliente e por uma gestão controlada do risco de crédito.
As projeções apontam para um Retorno sobre o Capital Próprio (ROE) médio doméstico de 13% e um rácio de eficiência (cost-to-income) de 43%, consolidando a banca nacional como uma das mais eficientes da Europa.
A receita operacional deverá registar um crescimento moderado (single digit), impulsionada pelo aumento do volume de negócio, compensando o fim do ciclo de reprecificação de ativos a taxas mais elevadas.
As projeções da agência indicam que a economia portuguesa crescerá 2,2% em 2026, duplicando a estimativa de 1,1% prevista para a região euro. Este dinamismo, a par de um mercado imobiliário que se mantém ativo — apesar de um ligeiro abrandamento no crescimento dos preços devido a novas medidas governamentais de habitação —, constitui a base para o otimismo da S&P. Mesmo perante a fragmentação parlamentar, a agência acredita que a continuidade das políticas económicas não será comprometida.
A estabilidade deverá ser suportada por um mercado de trabalho resiliente e por uma gestão rigorosa do crédito. No que toca à qualidade dos ativos, o cenário previsto é de estabilidade. A S&P projeta um rácio de ativos não produtivos (NPL) de cerca de 3,5% e um custo do risco em torno dos 35 pontos base (bps).
A agência sublinha que a melhoria da capacidade de pagamento das famílias e empresas, aliada a medidas de apoio estatal, evitará uma deterioração significativa do crédito. No plano do financiamento, os depósitos continuarão a ser a principal fonte de fundos das instituições, que mantêm níveis de liquidez confortáveis, com uma aposta crescente no investimento em títulos de dívida pública.
Os riscos no horizonte: Geopolítica e Imobiliário
Nem tudo são rosas. A S&P alerta que uma escalada das tensões geopolíticas pode deteriorar o ambiente económico além do previsto. Este cenário poderá resultar num aumento do desemprego e numa rápida acumulação de empréstimos problemáticos, enfraquecendo as perspetivas de negócio.
Paralelamente, o setor imobiliário continua sob vigilância. Um crescimento dos preços significativamente superior ao esperado pode criar um desequilíbrio: quando o ciclo inevitavelmente inverter, os bancos poderão enfrentar custos de crédito mais elevados, penalizando diretamente a sua rentabilidade, defende a agência.
Por último, a agência de notação financeira sublinha a importância de os bancos continuarem a investir na mitigação de riscos emergentes. A falha na resposta a ataques cibernéticos e a incapacidade de adaptação à evolução tecnológica são apontadas como ameaças críticas que podem comprometer a estabilidade operacional e a confiança no setor.
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