Startup espanhola Fever chega a Portugal (e diz-lhe onde vai querer passar o dia)

A partir desta semana, a ‘app’ que sugere espetáculos, restaurantes e festas consoante as suas preferências já está disponível em Lisboa. Em entrevista ao Jornal Económico, Gil Belford, general manager, afirma que as pessoas deixaram de querer “ter coisas para fazer coisas”: “Há quem não se importe de partilhar casa se isso significar uma grande viagem por ano”, diz. O lançamento da empresa contou com o apoio dos produtores da “La Casa de Papel”, de um ex-diretor do Idealista ou do jogador de futebol Sergio Ramos.

Cerca de um mês depois de fechar uma ronda financiamento “Series C” de 20 milhões de dólares (cerca de 17 milhões de euros), a startup espanhola Fever já deu provas de onde investiu parte desse montante: no mercado português. A empresa ligada ao lazer, que disponibiliza uma espécie de agenda cultural dinâmica – leia-se: o que se vai na cidade segundo a preferência e gosto da pessoa –, chegou agora a Lisboa.

A aplicação funciona através de um algoritmo de recomendação que encaminha o utilizador para os restaurantes/bares, as peças de teatros, os festivais de música etc. que mais lhe possam interessar. A ligação às redes sociais, ao Google e/ou às categorias preferidas do utilizador direciona-o para os eventos que poderão ser do seu agrado.

Em entrevista ao Jornal Económico, o general manager em Portugal afirma que o mercado do entretenimento é “muito grande” e que os portugueses não têm conhecimento dos eventos que se organizam e dos estabelecimentos que abrem na cidade diariamente.

“Não queremos ter controlo da vida do utilizador, mas proporcionar diversas experiências. No final do dia, queremos que descubram a sua cidade de maneira diferente. Hoje em dia as pessoas entre os 20-30 anos passaram de querer «ter coisas» para passar a «fazer coisas». Na nossa geração há quem não se importe de partilhar casa se isso significar uma grande viagem por ano”, explica Gil Belford.

Gil Belford tinha 19 anos quando trabalhou, pela primeira vez, numa startup, ao ser colaborador dos quiosques de vendas da entretanto extinta “A Vida é Bela”. Desde então, as pequenas empresas e o lazer não saíram do seu currículo: Hole19, Zomato… Atualmente na Fever, centra-se em formar parcerias com vários fornecedores – que ganham com a venda de bilhetes através desta app – e em promover eventos originais [“Fever Originals”], como uma festa com música acústica no Level Eight Rooftop & Bar (a 4 de setembro) ou um speed dating gay (a 11 de setembro).

Fundada em 2013, a empresa tem uma audiência mensal de mais de 25 milhões de utilizadores e conta com uma ‘box’ de mais de 10 mil eventos. A Fever começou a sua internacionalização em 2014, com a aposta em Nova Iorque. Ainda este ano pretende ‘abrir portas’ no Dubai, de acordo com o mesmo porta-voz.

Como investidores já teve a Atresmedia, produtora série “La Casa de Papel”, o fundo Accel Partners, reconhecido pela sua aposta em empresas como o Facebook, o Spotify e o Kaya, o artista Alejandro Sanz, Bernardo Hernández, ex-diretor de desenvolvimento de negócio do Idealista, ou o jogador de futebol Sergio Ramos. Em Portugal o apoio adveio da Caixa Capital e da Portugal Ventures através do fundo de investimento da Turismo de Portugal.

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