Startup Stex quer lançar em dois anos primeira biorrefinaria da Península Ibérica

Os clientes são os distribuidores de combustíveis, que, no âmbito da RED II, têm de incorporar nos seus produtos pelo menos 0,2% bioetanol já em 2022. Com a procura por este tipo de biocombustível a aumentar nos próximos anos, a Stex prevê que, só na Europa, o potencial de mercado pode chegar a 15 mil milhões de euros.

A ‘startup’ portuguesa Stex, cuja faturação rondou os 500 mil euros em 2020, quer lançar em dois anos a primeira biorrefinaria da Península Ibérica e aumentar o volume de negócios para seis milhões de euros.

“A previsão de faturação da Stex para 2020 é de meio milhão de euros, fruto de desenvolvimentos com empresas portuguesas, mas, com o arranque da primeira biorrefinaria e a venda do biocombustível avançado, o volume de negócios poderá ascender a seis milhões de euros”, refere a empresa em comunicado.

Com capitais 100% portugueses, a Stex foi constituída em 2019 após quatro anos a desenvolver a tecnologia no Brasil, tendo instalado no ‘campus’ do Lumiar do Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia (LNEG), em Lisboa, a unidade piloto que os seus fundadores mantinham do outro lado do Atlântico.

A unidade está em operação, numa escala de 1:15 a 1:20 da biorrefinaria comercial, sendo atualmente “uma das maiores da União Europeia e, de longe, a maior da Península Ibérica”, salienta.

A decisão de se mudarem do Brasil para a Europa é justificada pelos fundadores pelo facto de aqui existir “legislação madura para a transição energética e para uma sociedade neutra em carbono até 2050”.

A atividade da Stex passa pelo desenvolvimento de tecnologias verdes para a produção de biocombustíveis líquidos, pré-bióticos e proteínas a partir de biomassas residuais ou resíduos em escala industrial e foi hoje distinguida com o prémio Born from Knowledge (BfK) Awards, atribuído pela Agência Nacional de Inovação (ANI), no âmbito da 7.ª Edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola.

A solução inovadora desenvolvida pela Stex e agora premiada aproveita os resíduos florestais e agrícolas e os resíduos sólidos urbanos para produzir bioetanol, que tem de ser incorporado nos combustíveis do setor dos transportes para responder à diretiva europeia ‘Renewable Energy – Recast to 2030 (RED II)’.

A RED II foi aprovada em 2018 pela União Europeia e até 2030 obrigará o setor dos transportes a incorporar, no mínimo, 3,5% de biocombustíveis que provenham de resíduos.

“A questão é que não há produtores deste tipo de biocombustíveis em Portugal e, na Europa, a produção é incipiente”, refere a Stex, explicando que o processo inovador que desenvolveu, “ao contrário do que acontece nas soluções maioritariamente adotadas, não parte de açúcares (Brasil) ou hidratos de carbono (Europa e EUA)”.

Estas alternativas, além de “não serem as mais sustentáveis, ainda competem com a produção de alimentos, o que aumenta os seus preços”, sustenta, avançando que a sua solução “assenta numa unidade industrial – a biorrefinaria – para transformar resíduos florestais, agrícolas ou lixo urbano em bioetanol”.

“Trata-se de um biocombustível avançado, uma vez que é feito a partir de matéria celulósica residual e não compete com a produção de alimentos”, salienta.

Os clientes da Stex são os distribuidores de combustíveis, que, no âmbito da RED II, têm de incorporar nos seus produtos pelo menos 0,2% bioetanol já em 2022, 1% em 2025 e 3,5% em 2030, no âmbito do objetivo de que, até 2030, o consumo de fontes de energia renováveis pela União Europeia seja de 32%.

Com a procura por este tipo de biocombustível a aumentar nos próximos anos, a Stex prevê que, só na Europa, o potencial de mercado pode chegar a 15 mil milhões de euros.

Através da parceria com o LNEG, a Stex diz ter validado o processo para resíduos florestais (de Portugal), bagaço de azeitona e podas de oliveiras, e resíduos sólidos urbanos (RSU), estando neste momento “em busca de parceiros para implementar as biorrefinarias em Portugal e na Europa”.

“Nos próximos dois anos o objetivo é construir em Portugal a primeira biorrefinaria da Península Ibérica, e, em 10 anos, 10 no território ibérico”, precisa, adiantando que “o restante mercado europeu também está nos seus horizontes”.

Conforme explica a empresa, o processo que desenvolveu “dá um destino sustentável aos resíduos florestais, agrícolas ou urbanos”, permitindo aos distribuidores de combustíveis “contribuir para a descarbonização da sociedade ao utilizar um biocombustível de resíduos que pode reduzir até cerca de 95% as emissões de dióxido de carbono (CO2) em comparação com os fósseis”.

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