Steve Bannon e as eleições europeias: “Quanto mais participação houver, maior será a vitória do movimento populista”

Antigo conselheiro de Trum, ideólogo da nova extrema-direita e mentor de Bolsonaro e dos espanhóis do Vox, Bannon considera possível que 30% do próximo parlamento europeu seja populista.

O antigo conselheiro do Donald Trump e atual mentor da agregação dos ideais de extrema-direita um pouco por todo o mundo, e também na Europa, concedeu uma extensa entrevista ao jornal espanhol El Pais, onde afirma que os políticos europeus que mais admira são o italiano Mateo Salvini, ministro do Interior e vice-primeiro-ministro, e o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán.

Mas Bannon – que está a monitorizar com toda a atenção as eleições de maio para o Parlamento Europeu – tem outras geografias sobre as quais exerce a sua influência: a Espanha é uma delas, assim como o é o Brasil – na semana passada, Bannon jantou com o presidente Jair Bolsonaro. O seu ‘quartel-general’ na Europa é um velho mosteiro mais ou menos abandonado, o Certosa di Trisulti, a 130 quilómetros de Roma, a partir do qual Bannon sonha lançar uma espécie de escola para futuros líderes da extrema-direita.

Para o ex-conselheiro – que alega nunca ter ganho um cêntimo com a política – Salvini e Orbán são os expoentes máximos daquilo que defende: família tradicional, estrutura conservadora da sociedade, guerra contra o marxismo cultural”. Algo que, afirma, também encontra no Vox, o partido de extrema-direita espanhol que pode provocar uma verdadeira revolução já nas próximas eleições – depois de ter mostrado a sua força nas regionais da Andaluzia. Aliás, disse na entrevista, já chegou a reunir com os seus responsáveis em Washington, em 2017.

Outra surpreendente revelação: Bannon foi um dos que desaconselhou Salvini de concluir um acordo com Sílvio Berlusconi – que esteve praticamente fechado mas acabaria por ser rasgado, para desespero do velho político italiano, apesar de o M5S, parceiro de coligação de Salvini, ser bastante mais ‘esquerdista’ que o Força Itália, de Berlusconi.

Para Steve Bannon, as próximas europeias “são as eleições mais importantes da história da UE. Eles vão marcar uma ou outra direção. Quanto mais participação houver, maior será a vitória do movimento populista. Há algum tempo, davam-nos 20%, mas tem subido”.

Para ser eficaz, o populismo tem de destruir uma certa ideia de Europa: “o plano franco-alemão é criar os Estados Unidos da Europa. Espanha será Carolina do Sul, Itália a Carolina do Norte. Eles querem transformar as nações em unidades administrativas, despojando-as da sua essência. Macron quer mais integração comercial, mercados, imigração, um exército… A sua narrativa é ‘nós ou o caos’. Mas a alternativa é uma Europa das nações, onde cada país administrará os seus problemas e fará as suas soluções. As decisões não serão tomadas por um grupo de tecnocratas em Bruxelas”.

Bannon falou também n o ‘The Movement’, um grupo obscuro (de que o Jornal Económico já falou diversas vezes) que diz ser uma plataforma registada em Bruxelas por Mischaël Modrikamen, advogado e membro do Partido Popular Belga. Para Bannon, o The Movement: “é um motor de evangelização”.

Bannon estava em Roma na altura de entrevista ao El Pais, e para lá seguiram delegações de oito partidos europeus diferentes para se encontrarem com o mentor do projeto. E, em conjunto, já têm uma meta: agregarem em seu torno pelo menos 30% do Parlamento Europeu que sair das eleições de maio. “Um terço do Parlamento seria incrível”, disse.

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