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Sustentabilidade não pode ser pretexto para gestores terem ‘pet-project’, alerta Moreira Rato

“Os acionistas já não estão só preocupados com o valor da ação, mas com a forma como a empresa trata os seus colaboradores ou a biodiversidade”, defendeu esta terça-feira o presidente do Instituto Português de Corporate Governance, num evento do Jornal Económico.
© Cristina Bernardo
4 Junho 2024, 09h53

O presidente do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) alertou esta terça-feira que a sustentabilidade aumenta os riscos e complexifica o caderno de encargos das organizações, portanto obriga a governança “a dar um salto maior” e não pode ser um pretexto para cada gestor ter o seu “pet-project”.

“Os acionistas já não estão só preocupados com o valor da ação, mas com a forma como a empresa trata os seus colaboradores ou a biodiversidade devido ao Banco Central Europeu”, explicou João Moreira Rato num evento organizado pelo Jornal Económico (JE) subordinado ao tema “ESG: Desafios da Governance”.

João Moreira Rato reiterou ainda que o IPCG pretende ser um verdadeiro guia de melhores práticas, portanto está a trabalhar – e “avançado” – na preparação de recomendações de boa governance para o sector empresarial do Estado. Há inclusive uma reunião agendada para sexta-feira com o ministro da Presidência, aguardando-se a marcação dos encontros com os vários grupos parlamentares sobre este tema.

Por exemplo, quando o IPCG monitorizou o grau de acolhimento das recomendações do Código de Governo das Sociedade, concluiu que a acolhimento por parte das cotadas no índice PSI é superior ao das emitentes que não estão em bolsa, embora tenham ambas percentagens elevadas: 95% e 88%, respetivamente.

“Uma boa governance é um sinal da evolução da empresa.  É sinal de que as nossas empresas têm um grau de complexidade maior”, referiu o ainda professor na Nova School of Business and Economics e na Nova IMS e ex-chairman do Banco CTT, neste pequeno-almoço executivo, que decorre no Hotel Intercontinental Lisboa e antecede à publicação de um relatório do JE sobre ESG (Environmental, Social e Corporate Governance).

João Moreira Rato deu o exemplo dos casos de startups que analisou durante a sua tese, através da qual se apercebeu de que fazia sentido a governance se alterar à medida que a empresa evoluía. “À medida que a empresa cresce e se complexifica, faz sentido que os investidores percam direitos de veto e entreguem responsabilidades à gestão executiva”, defendeu o presidente do IPCG.

Ou seja, de acordo com este especialista, o desenvolvimento da relação entre investidores e gestores faz-se criando os mecanismos necessários para que o investidor estar incluído e participativo na estratégia da empresa, mas não envolvido no dia a dia da mesma.

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