Tancos: Azeredo Lopes sabia da encenação mas não denunciou por não ter esse “dever funcional”

O meu cliente está muito cansado. Não houve pergunta nenhuma a que ele não respondesse. Se o senhor juiz e a senhora Procuradora-Geral ficaram satisfeitos não sei”, disse o advogado Germano Marques da Silva.

António Cotrim/Lusa

O antigo ministro da Defesa José Alberto Azeredo Lopes admitiu esta segunda-feira, em tribunal, ter tido conhecimento de que as armas dos paióis de Tancos foram encontradas depois de uma chamada fabricada, revela a “SIC”. Segundo a estação televisiva de Paço d’Arcos, o ex-ministro disse ao juiz Carlos Alexandre que não informou as autoridades competentes porque “não tinha o dever funcional” de o fazer.

“Qual é o artigo da lei que diz isso [que o ministro está obrigado a informar]? O meu cliente está muito cansado. Não houve pergunta nenhuma a que ele não respondesse. Se o senhor juiz e a senhora Procuradora-Geral ficaram satisfeitos não sei”, explicou o advogado de Azeredo Lopes aos jornalistas à saída do tribunal.

Questionado sobre a chamada anónima que revelou a localização do material furtado, Germano Marques da Silva referiu à imprensa presente no local que “quando isso se passou esses documentos já eram do conhecimento da PGR”. “A PGR devia fazer uma participação disciplinar contra os funcionários e entretanto abria um processo disciplinar”, afirmou o jurista.

José Alberto Azeredo Lopes teria sido previamente informado de que a recuperação das armas de Tancos havia sido uma encenação da Polícia Judiciária Militar.

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