Tancos. Ministério Público vai chamar Joana Marques Vidal

A antiga procuradora-geral da República Joana Marques Vidal defendeu no Parlamento que a Polícia Judiciária Militar (PJM) atuou de forma ilegal no processo que levou ao “achamento” do material militar furtado dos paióis de Tancos, em 2017.

Renascença

A antiga Procuradora Geral da República é uma das 112 testemunhas arroladas pelo Ministério Público no caso de Tancos. Joana Marques Vidal nunca poupou críticas à atitude da Polícia Judiciária Militar (PJM) no inquérito ao furto de Tancos, nomeadamente em relação ao “achamento” do material militar. De acordo com a acusação, a que o Jornal Económico teve acesso, entre as testemunhas que o MP quer ouvir está ainda o deputado do PS Tiago Barbosa Ribeiro que trocou sms com o antigo ministro da Defesa, Azeredo Lopes, aquando da recuperação do material furtado.

Em março deste ano, na comissão de inquérito ao furto de Tancos, Joana Marques Vidal afirmou no Parlamento que a PJM “fez diligências” e prosseguiu uma “investigação criminal quando não tinha competência para isso”, pois “estava entregue à PJ”.

Ao longo da audição, a procuradora em funções à data do furto chegou a dizer, por diversas vezes, que os inspetores da PJM “não têm formação”, não conhecem o Código de Processo Penal “nem interiorizaram” qual a sua missão nesta investigação, que era liderada pela PJ e pelo Ministério Público. E relatou aos deputados que, no dia em que se soube do reaparecimento de parte do material furtado, que soube através do comunicado da PJM, tentou por diversas vezes contactar o diretor desta polícia, Luís Vieira.

Frustrada com o silêncio do então director da PJM, Joana Marques Vidal disse ainda no Parlamento que  ligou ao ministro da Defesa [Azeredo Lops] a “protestar” contra este comportamento. “O sr. ministro ouviu e disse que estava muito contente com o reaparecimento do material. Eu também disse que estava, mas que gostaria também de saber quem tinham sido os autores do furto. O sr. Ministro disse que ia falar com o diretor da PJM, mas o facto é que ele nunca me ligou, nem nesse dia, nem nunca. Nem ao diretor do DCIAP”, garantiu.

O caso do furto de armas, ocorrido em 2017, ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos militares da PJM e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do roubo, um ex-militar de nome Paulino.

O furto de material de guerra foi detetado pelo exército a 28 de junho de 2017 e o reaparecimento das armas, na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, foi revelado quatro meses depois  – a 18 de outubro –  pela PJM, em colaboração de elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

MP quer ouvir deputado do PS

O deputado do PS Tiago Barbosa Ribeiro também  é uma das 112 testemunhas arroladas pelo Ministério Público no caso de Tancos.

De acordo com a acusação do processo Tancos, a 18 de outubro de 2017, o deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro enviou um sms a Azeredo Lopes, então ministro da Defesa, felicitando-o por terem sido encontradas as armas de Tancos: “Parabéns pela recuperação do armamento! Grande alívio”, escreveu o deputado. O ex-ministro da Defesa sinalizou na altura que já tinha conhecimento da operação: “Pela primeira vez se recuperou armamento furtado. Eu sabia, mas tive que aguentar calado a porrada que levei. Mas, como é claro, não sabia que ia ser hoje”.

José Azeredo Lopes foi acusado de abuso de poder, denegação de justiça e prevaricação no “caso de Tancos” e proibido do exercício de funções.

Os restantes 22 arguidos são acusados de crimes tão diversos como associação criminosa, furto, detenção e tráfico de armas e de terrorismo internacional, entre outros.

O processo de recuperação do material militar levou a uma investigação judicial, por suspeitas de associação criminosa, tráfico de armas e terrorismo no furto do armamento e durante a qual foram detidos o agora ex-diretor da PJM Luís Vieira e o antigo porta-voz da PJM Vasco Brazão e três militares da GNR, num total de oito militares.

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