“TAP recebeu 300 candidaturas às diferentes modalidades de medidas voluntárias”, revela CEO Ramiro Sequeira

Sob a acusação desferida pelo deputado do PSD, Carlos Silva, de que o plano de reestruturação da TAP “mostra o desnorte do Governo, que nem sequer conseguiu divulgar este plano aos grupos parlamentares”, o CEO da TAP, Ramiro Sequeira, foi questionando pelos partidos políticos na audição parlamentar realizada esta terça-feira.

Paulo Whitaker/Reuters

O plano de reestruturação da TAP “mostra o desnorte do Governo, que nem sequer conseguiu divulgar o plano de reestruturação aos grupos parlamentares, apesar do CDS-PP ter tido mais sorte no acesso ao documento, embora seja uma versão ilegível, o que não lhe adianta muito”, referiu o deputado do PSD, Carlos Silva, questionando o CEO da TAP, Ramiro Sequeira, na audição parlamentar realizada esta terça-feira, 23 de fevereiro. Nas perguntas do deputado social-democrata dirigidas ao gestor executivo da TAP, figurou também “a quantificação do número de trabalhadores que aderiram às negociações dirigidas pela empresa”, e um comentário ao facto de, “pela primeira vez, a TAP ter perdido a liderança do mercado nacional por três meses”. Ramiro Sequeira revelou que, até à data, “já foram apresentadas 300 candidaturas dentro das diferentes modalidades de medidas voluntárias”.

O deputado comunista Bruno Dias, comentou que “durante muito tempo o PCP chama a atenção de que o que a TAP precisa é de um plano de contingência para apoio na situação de pandemia e não de um plano de reestruturação, que exige uma fatura muito mais pesada aos trabalhadores do Grupo TAP”, solicitando também uma referência às ajudas Covid-19 a que as companhias aéreas europeias tiveram acesso, e à posição da TAP nesta matéria. “Faz-se agora o odioso para que a TAP possa ser entregue num futuro a uma qualquer Lufthansa”, acusa Bruno Dias

Inês Sousa Real, do PAN, questionou “quais foram as alterações laborais entretanto adotadas, como forma de atenuar as saídas de trabalhadores”. Sobre as ligações entre Lisboa e Porto, a deputada do PAN perguntou “se estão a ser equacionadas alternativas de transporta no modo ferroviário”.

João Cotrim Figueiredo do IL, referiu que “não ficou claro como se manterá o hub de Lisboa, alimentado por voos do Brasil e dos EUA, onde havia uma dependência grande dos voos da companhia Azul. No Brasil também não ficou claro o que se vai passar com a empresa de manutenção e engenharia”. “Parem de dizer que a TAP pesa 2% no PIB – não é assim que se calcula o PIB. Hoje a TAP deve valer menos de 0,3% do PIB”, comentou. Lara Martinho do PS do destacou o papel inequívoco nas ligações aos Açores e à Madeira, “evidenciando o papel da TAP na coesão territorial e no crescimento do turismo para a Região Autónoma dos Açores”.

Na última intervenção de Ramiro Sequeira, o CEO explicou que “a adesão às medidas voluntárias será mantida até 14 de março, mas para já foram apresentadas 300 candidaturas dentro das diferentes modalidades de medidas voluntárias”. “Sobre a liderança da TAP perdida nos últimos meses, devo dizer que a liderança é muito relativa, sabendo que o nosso market share normal é de 56%, sublinho que o plano de reestruturação visa manter uma quota de mercado semelhante”, referiu o CEO da TAP.

Sobre as regiões autónomas, Ramiro Sequeira refere que “a TAP respeita o compromisso de manter a coesão territorial”. “Aumentámos de 896 mil passageiro para 1,2 milhões de passageiros nos voos para a Madeira. Para os Açores aumentámos de 287 mil para 650 mil assentos, o que é um crescimento considerável. É certo que tudo está em pausa neste momento, mas não está em pausa o nosso compromisso com o país”, comentou.

“A TAP transportou 17 milhões de passageiros. É a maior exportadora nacional. Tem mais de mil fornecedores e contribui para pagar mais de 1,5 mil milhões de euros em salários. Economicamente fica explícito o que significaria para Portugal não ter a TAP”, referiu Ramiro Sequeira.

Sobre a evolução da receita da TAP, Ramiro Sequeira comentou que “vai ter um aumento prudente relativamente às previsões da IATA”. Sobre a utilização de aviões mais pequenos da Embraer, “vejo que o detalhe da operação chega até vós” – adiantou o CEO –, esclarecendo “que o A320 também deixa carga”.

“A TAP é uma empresa eficiente e expliquei o quando é importante a renovação da frota”, referiu Ramiro Sequeira, detalhando que, na questão dos aviões utilizados, da Embraer vs Airbus, “na fase de retoma é mais eficiente utilizar aviões mais pequenos, porque o custo de voo do Embraer é inferior ao dos Airbus, mas se o avião for cheio, o Airbus terá melhor desempenho”, comentou.

“O plano de reestruturação assenta na TAP SGPS, está a ser trabalhado profundamente ao nível das opções sobre a Caterinpor e sobre a Manutenção e Engenharia – M&E Brasil, e neste último caso é uma questão que não é de agora e já vem de há muitos anos. Sobre o hub, o novo dimensionamento da TAP não põe em causa a sua quota de mercado, com 88 aviões mais três de carga, manterá o máximo de slots importantes para a TAP, que tentaremos proteger ao máximo, mas temos presente a lista do que é importante para a TAP a nível do seu hub. Finalmente, sobre a segurança, este é um tempo delicado para o sector da aviação, mas a segurança é o bem mais importante para uma companhia aérea, e posso garantir que as nossas áreas dedicadas à segurança estão presentes neste plano. Estamos sempre à disposição da aviação civil para prestar os esclarecimentos que considerem necessários”, concluiu o CEO da TAP.

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