“TAP suspendeu 93% da operação em fevereiro e março prevê-se similar”, diz Ramiro Sequeira

“O mercado do transporte aéreo como conhecemos antes da crise da pandemia não voltará”, sendo necessário fazer uma reestruturação rigorosa da TAP para que “os atuais problemas não continuem em 2025”, referiu o presidente executivo da TAP, Ramiro Sequeira na audição da Comissão Parlamentar de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, agendada para esta terça-feira, 23 de fevereiro, por proposta dos grupos parlamentares do PSD e do Iniciativa Liberal.

“O mercado da aviação enfrenta a maior crise da sua história. Poucos sectores de atividade terão sido mais impactados pela pandemia do que o da aviação. Milhares de empregos e milhares de milhões de euros de receitas foram perdidos”, referiu o CEO da TAP, Ramiro Sequeira na audição da Comissão Parlamentar de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, agendada para esta terça-feira, 23 de fevereiro, desde as 10h30, por proposta dos grupos parlamentares do PSD e do IL – Iniciativa Liberal. “No acumulado dos primeiros nove meses de 2020, que são os últimos dados divulgados aos mercados, o número de passageiros caiu 70% – tivemos menos 9,1 milhões de passageiros –, a nossa oferta teve uma quebra de 64% e a receita total caiu 81% face a 2019”, referiu. Mas as perspetivas não melhoraram: “suspendemos 93% da nossa operação em Fevereiro – quando comparada com o mesmo mês do ano passado – e março prevê-se similar”. O CEO alerta igualmente para o facto de que o mercado como era conhecido antes da crise da pandemia “não voltará”.

“As previsões da IATA para este ano apontavam para uma redução das receitas de 60% e uma quebra de operação de 50%. E os níveis de 2019 só seriam recuperados em 2024, mesmo com a vacina. Mas a verdade é que as primeiras semanas de 2021 e as previsões para os meses que se seguem contrariam as projeções já de si pouco animadoras”, referiu o CEO da TAP.

“A imposição simultânea de quarentena à chegada em alguns dos nossos principais mercados, aliada à retoma de medidas mais duras de confinamento em vários países e à proibição e suspensão de voos nas ligações aéreas entre Portugal e países como o Reino Unido, Angola e Brasil, ocorridas durante janeiro, trazem elevados constrangimentos à atividade da TAP”, explicou Ramiro Sequeira, adiantando que “suspendemos 93% da nossa operação em Fevereiro – quando comparada com o mesmo mês do ano passado – e março prevê-se similar”.

“Os apoios estatais às companhias aéreas aconteceram um pouco por todo o mundo. E é neste contexto que precisamos de analisar o apoio estatal de 1,2 mil milhões de euros à TAP”, referiu o CEO, esclarecendo que “a TAP não ficou à espera deste apoio para implementar, desde a primeira hora, diversas medidas para reduzir custos e proteger a sua situação de caixa”.

“Para além de medidas já muito faladas, e a que infelizmente tivemos de recorrer, como a não renovação de contratos a prazo, gostaria de salientar algumas, quer no campo da despesa como no da receita, designadamente, “reduções salariais de 30% de todos os membros da Administração, renegociações com mais de mil fornecedores, redução de rotas, com a descida de 54% de ASKs (número médio de lugares transportados por quilómetro voado) durante 1º semestre de 2020, deferimento de pagamentos de operating leases com lessors, renegociação com a Airbus para adiar a entrega de 15 aeronaves de 2020 para 2022, a venda de oito aeronaves”, referiu Ramiro Sequeira.

“Estamos a definir um conjunto de iniciativas que permitirão continuar a gerar poupanças ao longo dos próximos anos”, adiantou o CEO da TAP, destacando “do lado da receita, por exemplo, a reconfiguração de aviões para transporte de carga que nos permitiu 11 milhões de euros em receitas adicionais em 2020. Prova disso, são os cerca de 20 voos semanais que estamos a fazer para o Brasil para o transporte de material para produção de vacinas e variados bens”, referiu ainda o CEO.

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