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Tarifas? Portugal escreve carta de amor aos EUA para atrair investimento

Num momento de crise, Lisboa quer reforçar laços com empresas norte-americanas. Portugal quer atrair mais investimento dos EUA, apesar do aumento das tarifas comerciais por Donald Trump.
EUA
10 – Estados Unidos
4 Abril 2025, 13h18

Depois do infame “dia de libertação” a 2 de abril, quando Donald Trump anunciou tarifas a nível global que vão degradar as relações comerciais entre a maior economia mundial e vários dos seus aliados históricos, eis que Portugal escreve uma carta de amor ao seu aliado, parceiro comercial e importante fonte de investimento.

“O investimento americano é muito bem vindo a Portugal. Queremos construir uma parceria estratégica profunda. Esta é uma boa semana e bom evento para mostrar um sinal de compromisso entre os EUA e a Europa. É uma boa semana para apostar na confiança em vez de afastamento; para o investimento em vez de tarifas; para o combate às barreiras em vez de barreiras; para o liberalismo em vez de protecionismo”, começou por dizer o ministro da Economia esta sexta-feira durante a inauguração da primeira fase do centro de dados de Sines, distrito de Setúbal.

O mundo deseja uns EUA fortes, como bastião do livre comércio, a promover a inovação, a promover uma abertura equilibrada do mercado; uma economia dos EUA geradora de emprego, competitiva, sem inflação”, acrescentou Pedro Reis.

Entre os seus acionistas, o centro de dados de Sines conta com os norte-americanos da Davidson Kemper.

A importância deste investimento era visível pelo peso da comitiva americana. No evento, estavam presentes cerca de uma dezena de membros da embaixada norte-americana em Portugal. Entre eles, estava o Chargé d’affaires da embaixada Douglas Koneff, o responsável máximo atual da representação diplomática enquanto não chega o novo embaixador nomeado por Donald Trump.

Já o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz também dedicou parte do seu discurso à relação próxima entre Portugal e os EUA.

Recordou que o aumento de voos da TAP para os EUA trouxe mais cidadãos dos states a Portugal: “abrimos os corações dos americanos a este país à beira-mar plantado. Não foi só o vinho, gastronomia, clima: aqui podem investir em segurança”.

“Agora, a globalização is coming home: foi aqui que nasceu e queremos fazer renascer uma nova globalização com novas regras, novas formas de estar que garanta melhor qualidade de vida aos vossos e aos nossos cidadãos”, acrescentou Miguel Pinto Luz.

Já o Chargé d’affaires da embaixada norte-americana agradeceu ao Governo português e defendeu que é preciso “construir um futuro mais interligado”.

“Portugal e os EUA compartilham uma fronteira: o oceano Atlântico. Para nós é cod, para vocês é bacalhau, mas é pescado nas mesmas águas”, afirmou Douglas Koneff.

“Partilhamos a cultura e valores. Somos parceiros de longa data. Este é um projeto importante para os nossos dois países”, disse no seu discurso.

Projeto para maior centro de dados da Europa em Portugal gera investimentos de 40 mil milhões

Já é o maior centro de dados de Portugal e ambiciona tornar-se no maior da Europa.

O primeiro edifício do Sines Data Center Campus foi inaugurado esta sexta-feira com 26 megawatts de capacidade.

Para o final da década, em 2030, e com todos os seis difícios concluídos, vai ter uma capacidade atribuída de 1,2 gigawatts.

O custo total do projeto está estimado em 8,5 mil milhões de euros pela dona do projeto, a Start Campus.

Mas há que contar com mais 30 mil milhões de euros de investimento, com a chegada prevista de clientes de Inteligência Artificial (IA), Cloud e HPC (computação de alta performance), o número de investimentos pelos clientes no equipamento necessário para as suas operações.

Tudo somado, são quase 40 mil milhões de euros de investimento a aterrar em Sines, distrito de Setúbal.

O projeto foi totalmente financiado de forma privada, contando como acionistas os norte-americanos da Davidson Kempner Capital Management e os britânicos da Pioneer Point Partners.

“Portugal continua a atrair investimento estrangeiro. O país é muito atrativo para clientes de IA e de cloud”, disse o CEO da Start Campus, Robert Dunn, esta sexta-feira na cerimónia de inauguração em Sines.

O gestor destacou como mais-valias de Portugal, os cabos submarinos, a “melhor oferta de eletricidade a baixos preços”, a energia renovável.

“Portugal tem a oportunidade de tornar-se na porta de entrada do IA na Europa. Portugal e a Europa precisam de tomar decisões na agenda digital”, segundo Robert Dunn.

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