A crescente expansão da energia eólica tem sido um pilar essencial da transição energética europeia, mas levanta desafios ambientais relevantes, em particular no que respeita à proteção da avifauna. A colisão de aves com aerogeradores — muitas delas espécies protegidas — continua a ser uma preocupação para reguladores, operadores e organizações ambientais. Uma nova solução tecnológica desenvolvida pela Minsait, empresa do grupo Indra, promete mitigar significativamente este problema, com reduções que podem chegar aos 80%.
A tecnologia, já implementada em vários parques eólicos na Península Ibérica, baseia-se na integração de radares 3D de médio alcance, câmaras de visão avançada e algoritmos de inteligência artificial. O sistema permite detetar aves em voo, analisar as suas trajetórias e avaliar, em tempo real, o risco de colisão com os aerogeradores, acionando automaticamente medidas preventivas quando necessário.
O radar 3D utilizado assegura uma cobertura de 360 graus, com elevada taxa de atualização — um varrimento por segundo — e capacidade para detetar alvos pequenos até uma distância de três a quatro quilómetros. Esta monitorização contínua permite identificar trajetórias críticas com antecedência suficiente para intervir. Segundo dados operacionais recolhidos em parques onde a solução está ativa, mais de 81% dessas trajetórias mantêm estabilidade superior a 30 segundos, margem que permite desacelerar ou parar seletivamente as turbinas antes de ocorrer o impacto.
Ao contrário de abordagens mais conservadoras, que implicam paragens frequentes e prolongadas dos aerogeradores, a solução da Minsait atua apenas quando existe risco efetivo, reduzindo o impacto na produção de energia. Estudos realizados indicam que mais de 80% das situações de risco são identificadas atempadamente, garantindo proteção ambiental sem comprometer a eficiência operacional.
Outro dos elementos distintivos do sistema é a sua capacidade de classificação avançada das aves, incluindo espécies e subespécies. Esta funcionalidade permite aplicar estratégias diferenciadas de mitigação, ajustadas ao grau de proteção ou vulnerabilidade de cada espécie, um fator particularmente relevante em zonas de migração ou nidificação sensível.
A tecnologia está integrada com os sistemas de controlo dos parques eólicos (SCADA) e disponibiliza ferramentas de monitorização, análise de dados e auditoria, facilitando o cumprimento das exigências regulatórias e o reporte ambiental. Em vários países europeus, níveis elevados de sinistralidade podem resultar em penalizações financeiras ou mesmo na suspensão da atividade, o que torna este tipo de solução especialmente estratégico para os operadores.
Para João Januário, diretor de Energia da Minsait em Portugal, “a combinação das tecnologias aplicadas permite alcançar uma solução altamente eficaz, demonstrando que a inovação é essencial para responder aos desafios ambientais do setor energético”. O responsável sublinha em comunicado que a empresa está a transformar a gestão ambiental dos parques eólicos “num processo inteligente, mensurável e alinhado com os objetivos de crescimento sustentável da energia renovável”.
Num contexto de metas climáticas cada vez mais exigentes e de crescente escrutínio ambiental, soluções como a da Minsait apontam para um caminho em que o aumento da capacidade de geração eólica pode coexistir com elevados padrões de proteção da biodiversidade — uma condição cada vez mais indispensável para o futuro do setor energético.
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