Teixeira Duarte com quebra de 9% nos proveitos do primeiro semestre em Portugal

Administração da construtora explica quebra com a redução dos proveitos operacionais no setor do imobiliário.

A construtora Teixeira Duarte (TD) encerrou o primeiro semestre deste ano com cerca de 489,9 milhões de euros de proveitos operacionais, o que representou uma quebra de 8,8% face ao período homólogo do ano passado.

“Em Portugal, o grupo teve um decréscimo de 8,8% – para o qual muito contribuiu a redução dos proveitos operacionais no setor da imobiliária – enquanto que nos mercados externos se registou um aumento global de 2,4% face aos primeiros seis meses de 2018”, adianta o comunicado da construtora enviado esta quarta-feira à CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

De acordo com este documento, “(…) os bons desempenhos das empresas que atuam nos setores da construção, concessões e serviços, distribuição e automóvel não compensaram a quebra das que operam no setor da imobiliária, que se ficou a dever essencialmente ao ciclo dos empreendimentos em Portugal e à alteração dos normativos contabilísticos aplicáveis aos empreendimentos desenvolvidos no Brasil”.

Por seu turno, o volume de negócios da TD no período em análise ascendeu a 440 milhões de euros, o que traduziu um aumento de 2,7% face ao primeiro semestre de 2018, o equivalente a mais 11,6 milhões de euros em termos absolutos.

“Mais do que a dimensão do aumento alcançado, destaca-se o facto de o mesmo constituir uma inversão na tendência de redução que se vinha verificando nos últimos exercícios. Em Portugal, registou-se uma diminuição de 6,8% face aos primeiros seis meses de 2018, enquanto que os outros mercados cresceram globalmente 6,2%. Neste contexto, os mercados externos passaram a representar 75,7% do total do volume de negócios do Grupo Teixeira Duarte face a 73,3% verificados no período homólogo”, assinala o referido comunicado.

O EBITDA da construtora fixou-se em cerca de 77,9 milhões de euros, evidenciando uma redução de 14,6% face em comparação com o primeiro semestre do ano passado.

“Refira-se que o EBITDA alcançado pelo grupo no primeiro semestre de 2018 beneficiou da mais-valia na alienação da participada Lagoas Park SA, no valor de 24,898 milhões de euros, o que explica a variação negativa tão expressiva no setor da imobiliária”, esclarece a administração da TD.

Por seu turno, os resultados financeiros da TD no primeiro semestre deste ano foram negativos em cerca de 35,5 milhões de euros, o que significou uma ligeira melhoria face aos 33,6 milhões de euros negativos deste indicador na primeira metade de 2018.

Os resultados líquidos atribuíveis a detentores de capital ficaram-se pelos 12,285 milhões de euros, um decréscimo de 29,3% em comparação com o primeiro semestre do ano transacto

A dívida financeira líquida da TD aumentou mais de 88 milhões de euros no período em questão, tendo-se fixado nos cerca de 777 milhões de euros no final de junho.

“Tal evolução deveu-se essencialmente aos seguintes fatores: aumentos de 40,571 milhões de euros, resultante da aplicação IFRS 16 – Locações; redução de 56,053 milhões de euros em disponibilidades, resultante, por um lado, do reforço do investimento no setor imobiliário, e, por outro, do fundo de maneio desfavorável e da desvalorização das moedas com que o grupo opera, que atingiu 7,641 milhões de euros; redução de 9,410 milhões de euros de dívida financeira”, explica a administração da construtora.

A TD informa ainda que a carteira de encomendas detida no final de junho deste ano era de cerca de 1.460 milhões de euros, dos quais cerca de 402 milhões de verão ser concretizados até ao final deste ano (66,4% deste valor fora de Portugal) e cerca de 540 milhões de euros em 2020 (cerca de 77% nos mercados externos em que a TD opera), ficando o restante para os anos seguintes.

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