Teletrabalho. Apenas 5% recebe compensações das empresas para pagar custos

Cerca de 95% dos inquiridos diz que a sua empresa não cobre custos associados ao teletrabalho enquanto que quase 1 em 10 trabalhadores assume não estar autorizado a ficar em teletrabalho pela entidade patronal.

Embora tenha sido implementado como uma das medidas de segurança contra a Covid-19, a perceção do teletrabalho em Portugal é, de forma geral, positiva.

Olhando para os resultados de um inquérito conduzido pela Fixando e divulgado esta quarta-feira, 63% dos portugueses estão satisfeitos com o prolongamento do teletrabalho até ao final do ano, sendo que 56% considera muito positivo para a economia do país e 65% muito positivo para as empresas. Em termos de impactos na saúde mental, 40% dos participantes dá nota positiva a este regime considerando ter benefícios.

Todavia, entre os 13.660 profissionais e utilizadores questionados, 9% da amostra assumiu não estar autorizado a ficar em teletrabalho pela entidade patronal e dos 41% que esteve, entre 25 e 29 de março, a trabalhar a partir de casa, apenas 5% recebe uma compensação da sua entidade patronal para cobrir os custos associados ao teletrabalho.

O tema das empresas compensarem os trabalhadores pelos gastos com comunicações, electricidade ou água por estarem em teletrabalho tem estado na ordem, com partidos, como o Partido Comunista (PCP) a propor que as empresas paguem aos trabalhadores 10,97 euros por dia por despesas em teletrabalho.

Já o Bloco de Esquerda pretende clarificar no Código do Trabalho o princípio de que é responsabilidade do empregador fornecer os instrumentos de trabalho respeitantes a tecnologias de informação e de comunicação necessários ao teletrabalho e que cabe à empresa o pagamento das despesas, “nomeadamente os custos fixos gerados pelo uso de telecomunicações, água, energia, incluindo climatização, e outros conexos com o exercício das funções”.

Vantagens e desvantagens para os trabalhadores.

Inquiridos sobre as vantagens do teletrabalho, dois terços (66%) responderam à cabeça “redução do risco de contágio por Covid-19”.

A redução das despesas em deslocação (52%) e do tempo de deslocação (42%), além de horários mais flexíveis (35%) e mais tempo de qualidade com a família (33%) foram outras vantagens assinaladas.

Já quando questionados sobre as desvantagens do teletrabalho, a maioria sinalizou o isolamento social (56%) e o aumento das despesas em eletricidade, água e gás (54%).

Também indicaram a (fraca) qualidade da internet (26%), a falta de material de trabalho adequado (24%) e o aumento das despesas relacionadas com bens essenciais (24%).

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