Science4You: “Temos que ter até 40% das vendas ‘online’ em cinco a dez anos”

O futuro da venda de brinquedos passa pelo ‘e-commerce’ e a Science4you quer tocar o sino da Bolsa de Lisboa para poder “fazer parte dessa onda”, sublinha o fundador e CEO_da empresa.

A Science4you, empresa portuguesa dedicada ao desenvolvimento, produção e comercialização de brinquedos, está a poucas semanas de entrar em bolsa. Em entrevista ao programa Decisores, que é transmitida esta sexta-feira às 11 horas no site e nas redes sociais do Jornal Económico, Miguel Pina Martins explica os objetivos da operação e fala do livro que vai lançar sobre o percurso da empresa.

Qual foi a motivação na Science4you em criar este processo de entrada em bolsa e o porquê desta forma?

O grande objetivo da empresa é poder capitalizar-se e, de certa forma, remodelar alguns fundos que já estão dentro da empresa. Isto acaba por ser um sonho. Se me perguntasse há nove meses, eu diria que seria um pouco prematuro. Os sinais que o mercado nos tem dado, principalmente depois da oferta bem-sucedida por parte da Raize, diz-nos que poderia ser uma possibilidade muito interessante. Depois de já termos sido contactados várias vezes pela Euronext, houve realmente a decisão de que esta poderia ser uma janela de oportunidade.

Não só para capitalizar a empresa, como também para poder envolver os nossos clientes, pelo menos os portugueses, onde a nossa oferta está mais direcionada. Este envolvimento pode fazer sentido para as pessoas investirem na empresa e poderem ter ações, até porque são clientes também. Esse ponto acabou por ser relevante para nós.

A operação acaba por ser uma redução da participação institucional dos fundos que vos apoiaram durante este tempo todo. Esses investidores vão continuar na empresa?

Sim. Todos os investidores vão ficar. Não há nenhum investidor que vá sair na totalidade nem em 50% da sua posição. Temos é fundos em estágios diferentes e em momentos diferentes, que precisam de ser remunerados pela forma como são feitos e também respeitámos isso. Assim, arranjámos uma maneira para que todos possam sair bem. Depois da IPO, terei um lock-up period de dois anos. O objetivo é poder continuar a de­senvolver a empresa, porque sempre foi esse o pensamento. E será esse o pensamento daqui para a frente.

Na altura do anúncio, disse que um dos objetivos desta operação é reforçar o e-commerce. Qual é o posicionamento da empresa e o que operação em bolsa poderá permitir?

Acreditamos em primeira instância que o e-commerce vai ser o futuro do retalho, genericamente falando. Se calhar, não vai levar 20 anos, mas dentro de cinco, dez anos, vamos ter que ter até 40% de vendas online.

Só para termos noção, nos Estados Unidos, 10% de todas as vendas, incluindo carros, já são feitas online. O futuro dos brinquedos passa também pela venda online, apesar de hoje em dia estarmos a falar de mercados como o Reino Unido, em que as vendas por internet já estão na casa dos 30% ou 40%. Queremos fazer parte dessa onda e continuar a crescer, com base em exportações alicerçadas pela parte do e-commerce, que acaba por ser uma forma de chegar a toda gente mais fácil do que a tradicional. Esse é o nosso caminho. Acreditamos que a aposta e, principalmente, esta parte do aumento de capital, deve ser colocada na questão da plataforma, publicidade e crescimento online, que depois se converte em vendas. Vamos continuar a testar modelos para que a empresa continue a crescer por esse lado e não apenas pelo lado das exportações.

Em relação ao investimento na plataforma, qual é o plano? Quantas pessoas vão contratar e o que vai mudar na empresa?

Há planos para recrutamento, não só na parte da tecnologia direta na questão da plataforma, mas também no R&D [I&D]. O crescimento da empresa a nível de pessoas vai continuar a sentir-se. Não lhe consigo dizer se são 50 ou 70, mas haverá uma parte significativa do aumento de capital que será destinada para a empresa continuar a crescer nessa área. Já temos a plataforma. Ela já existe. Queremos é continuar a apostar nela. O mundo online é extremamente competitivo. Não quer dizer que o offline não seja, mas o outro é mais ainda.

Falando do modelo de vendas online, já permitiu chegarem a mercados mais alargados?

Sim. Hoje em dia, a Amazon acaba por ser o nosso melhor cliente. No entanto, acreditamos que não existe só a Amazon. Existe o nosso próprio site e outros players de e-commerce muito bons. O foco do e-commerce não passa apenas pela criação e pela aposta nesta plataforma, mas também na criação de outra com conteúdos educativos, sendo que muito deles já foram criados pela Science4You.

Ler mais
Recomendadas

CGD, Santander Totta, BPI e BCP fecham 2018 com menos 1.071 trabalhadores e 254 balcões

Os quatro bancos que já apresentaram contas e dados relativos a 2018 passaram de 27.221 trabalhadores em 2017 para 26.150 em 2018.

Bancos que apresentaram contas de 2018 aumentaram lucros em mais de 1.100 milhões

Os bancos em causa são a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Santander Totta, o BPI e o BCP. De fora destas contas ficam o Banco Montepio e o Novo Banco, que ainda não apresentaram contas relativas ao ano passado.

Maiores bancos desfizeram-se de pelo menos 5.719 milhões em crédito malparado em 2018

Os bancos alienam carteiras de crédito malparado para melhorarem os seus balanços e também cumprirem as exigências de reguladores e supervisores bancários, que consideram que estes ativos ‘tóxicos’ são a principal fragilidade do sistema bancário português.
Comentários