Tensões entre imunologista e Trump aumentam numa altura em que a pandemia se agrava nos EUA

As tensões entre responsáveis da Casa Branca, incluindo Donald Trump, e o especialista Anthony Fauci continuam a aumentar numa altura em que o país tem registado cerca de 60 mil casos diários nos últimos dias. Fauci admite que já não faz uma avaliação da situação epidemiológica com o presidente há mais de dois meses.

Anthony Fauci, diretor do Instituto de Doenças Infecciosas, e Donald Trump | Getty Images

O presidente norte-americano voltou a criticar o imunologista e especialista em doenças infecciosas Anthony Fauci, depois de na semana passada ter garantido que apesar dos mais de três milhões de casos de Covid-19 nos EUA, o país encontra-se “numa boa posição”.

“É um bom homem, mas já cometeu muitos erros”, considerou Donald Trump em conversa com a “Fox News”, no domingo. O inquilino da Casa Branca admitiu ainda discordar das opiniões de Fauci que aconselhava os governadores a recuar nas medidas de desconfinamento numa altura em que se regista um pique de novos casos diários.

As críticas replicaram-se por outros membros da administração de Trump. Brett Giroir, um oficial de saúde e recursos humanos e membro da mesma task force da Casa Branca liderada do Anthony Fauci, rejeitou as recomendações do especialista.

“Respeito bastante o Dr Fauci, mas ele não está 100% certo e não tem em consideração o interesse nacional, algo que o próprio já admitiu”, referiu Giroir ao “Meet the Press”, no domingo.

Fauci é diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA e, até recentemente, o rosto público da resposta do governo ao coronavírus. Durante uma entrevista num podcast do “FiveThirtyEight”, na passada quinta-feira, disse que alguns estados se saíram bem em controlar o surto. “Mas enquanto país, quando nos comparamos a outros países, acho que não podemos dizer que estamos numa boa posição. Nós simplesmente não estamos”, vincou.

No domingo, oficiais da Casa Branca divulgaram um conjunto de declarações feitas pelo especialista no inicio da pandemia, que incluíam frases como “o vírus não é uma ameaça para os EUA”, dita em janeiro, que os assintomáticos não poderiam contaminar outras pessoas e que o uso de máscaras não trazia benefícios, dita em março.

O especialista reconheceu o aumento de tensões entre o próprio e a Casa Branca, admitindo, numa entrevista ao “FInancial Times”, divulgada este fim de semana, que a última vez que se encontrou presencialmente com Donald Trump foi a 2 de junho e que já não faz uma avaliação da sitaução epidemiológica com o presidente há mais de dois meses.

Os Estados Unidos registaram 426 mortos e 57.794 infetados por Covid-19 nas últimas 24 horas, de acordo com um balanço da Universidade Johns Hopkins. O país contabiliza 135.155 óbitos e 3.297.501 casos desde o início da pandemia, segundo o balanço realizado às 20h de domingo (1h em Lisboa), pela agência de notícias Efe. O número de casos nos Estados Unidos aumentou para cerca de 60 mil por dia na semana passada, um crescimento que se verificou em 37 dos 50 estados do país.

Os Estados Unidos são o país no mundo com mais mortos e mais casos de infeção confirmados.

 

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