Tentativas de resolver problemas do BES e Novo Banco têm deteriorado “quadro político”, afirma Siza Vieira

O ministro da Economia qualificou como “bom” que nesta “altura possamos pedir à Procuradoria-Geral da República que avalie o fundamento das críticas que estão a ser feitas pelo líder da oposição”.

Cristina Bernardo

O ministro da economia, Pedro Siza Vieira, afirmou esta quarta-feira que as várias tentativas de resolver os problemas do Banco Espírito Santo (BES) e, mais tarde, do Novo Banco têm deteriorado o “quadro político”.

“Muitos dos ativos que passaram do Banco Espírito Santo para o Novo Banco eram ativos insuscetíveis de recuperação por parte do banco. Depois, sabemos também que, ao longo destes anos, as tentativas de resolução do problema que veio de trás tem estado a inquinar o quadro político”, garantiu o ministro da Economia, aos jornalistas.

Pedro Siza Vieira recordou que “em 2014, houve uma resolução do Banco Espírito Santo por causa de factos que nos anos anteriores a essa resolução tinham levado à deterioração muito grande da situação do banco”. “Foi feita uma deliberação de resolução que como hoje sabemos não resolveu todos os problemas”, recordou.

Apesar de assegurar à imprensa que sobre este tema não tem “muitos comentários a fazer”, Pedro Siza Vieira qualificou como “bom” que nesta “altura possamos pedir à Procuradoria-Geral da República que avalie o fundamento das críticas que estão a ser feitas pelo líder da oposição”.

Para o ministro da Economia, os comentários da oposição remetem para “a forma como o Novo Banco geriu a alienação de ativos e é isso que é preciso agora apurar”.

A 24 de julho, no debate do Estado da Nação, Rui Rio criticou a gestão do Novo Banco, nomeadamente sobre a venda de um lote de imóveis ao fundo de investimento Cerberus.

“Não se entende por que razão o Novo Banco agrupa em lotes gigantescos os imóveis que pretendam alienar restringindo a procura e reforçando, assim o peso negocial dos potenciais compradores”, sublinhou Rio Rio que acrescentou ainda existirem provas suficientes para que “o ministério público se possa debruçar sobre a forma como este contrato de venda do Novo Banco à Lone Star tem vindo a ser executado”.

Depois da intervenção do líder social-democrata, a 28 de julho, o jornal “Público” avançou com a informação de que um fundo das ilhas Caimão comprou imóveis do Novo Banco com crédito do mesmo. De acordo com a investigação do matutino, o banco vendeu, em 2018, uma carteira de ativos imobiliários — 5.552 imóveis e 8.719 frações — a cinco sociedades imobiliárias portuguesas por 364 milhões de euros, abaixo do valor contabilístico de 631 milhões de euros, tendo o Fundo de Resolução colmatado parte das perdas com a operação, com uma injeção de 260 milhões de euros.

Agora, o líder da oposição, Rui Rio, diz estar à espera “que o Ministério Público agarre neste dossier” e alerta que a situação “pode ser ainda pior do que se imagina”

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