Thales e Natixis são o tipo de investimento estrangeiro que Portugal agradece. Empresas geradoras de emprego qualificado que paguem salários dignos.
A matriz francesa conjugada com a condição de multinacional alarga o leque linguístico nestas Babel do século XXI. Embora o inglês seja o requisito oficial, a língua materna ocupa um lugar ao sol, em ambas.
“O francês é, em muitos casos, um critério valorizado, mas não eliminatório”, afirma Sérgio Barbedo, Country Director da Thales em Portugal ao Jornal Económico (JE). E explica: “Existem projetos — sobretudo em serviços partilhados, gestão de clientes internos e determinadas áreas de apoio central — onde o domínio da língua francesa constitui um fator diferenciador e, em algumas funções específicas, um requisito funcional”. Já nas áreas de engenharia, desenvolvimento tecnológico e projetos internacionais, o inglês é a língua de trabalho predominante.
Thales e Natixis participaram nos encontros organizados pelo Institut Français du Portugal, Embaixada de França em Portugal e Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, (pág. ao lado) sobre dificuldades na contratação de francófonos. Ao JE dizem conhecer a realidade, garantem que não estão em causa os seus investimentos e revelam ter trunfos como a formação linguística.
Para “promover a inclusão e facilitar a comunicação”, exemplifica Sérgio Barbedo, a Thales “investe em programas de formação linguística através das suas plataformas internas de aprendizagem e das iniciativas ligadas à diversidade e inclusão”.
Em Portugal desde 1988, o grupo construiu ao longo destes anos um polo de competências estratégicas em várias áreas tecnológicas e de serviços. Conta com mais de 400 colaboradores, na maioria em funções altamente qualificadas. As suas equipas atuam no aeroespacial, defesa naval, gestão de tráfego aéreo, cibersegurança e em diversos serviços partilhados para a Europa, incluindo financeiro, compras e recursos humanos.
Natixis abriu no Porto, em 2017, um centro de competências e já vai em mais de 3.000 colaboradores, de 46 nacionalidades, distribuídos por três grandes áreas — information technology, banking support activities e compliance. “É um dos maiores projetos em capital humano do Groupe BPCE a nível global”, destaca Christophe Rachel, Head of Banking Support Activities da Natixis Portugal.
Embora o inglês seja o principal idioma em toda a organização, “para determinados serviços prestados a áreas francófonas do banco, é necessário assegurar níveis avançados de francês”. O gestor garante, no entanto, que “não é uma dificuldade que impacte o negócio”.
Quase 100% dos colaboradores são fluentes em inglês e cerca de 25% em francês. “O banco investe continuamente em formação linguística — com cerca de 700 colaboradores em cursos, maioritariamente de francês — e recrutamos também a nível internacional”, adianta.
Natixis é campeão no emprego com a contratação média de 400 profissionais/ano, nos últimos dois anos. A dimensão do projeto, exige, segundo o gestor, “uma estratégia de recrutamento abrangente”, que inclui programas de trainees em parceria com universidades; academias internas para formação em áreas altamente especializadas da banca e tecnologia; recrutamento local e internacional para funções de nicho, que requerem conhecimento aprofundado de regulação ou competências específicas não disponíveis cá.
“Esta combinação permite responder de forma eficaz às necessidades que temos encontrado nas equipas”, conclui.
Definitivamente, a gestão de recursos escassos, como são as pessoas qualificadas, requer uma abordagem multifacetada.
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