“The Guardian” destaca mudança no mercado de arrendamento de Lisboa

O “The Guardian” distingue problemas que a cidade de Lisboa dispunha antes da pandemia atacar, como o excesso de turismo e a falta de habitação para portugueses devido às plataformas de alojamento local.

Se antes de março as ruas da capital portuguesa estavam repletas de turistas, ao dia de hoje a visão é bastante diferente. Com a pandemia, o turismo foi obrigado a puxar o travão e as cidades de dependiam fortemente de cidadãos de outras nacionalidades foram obrigadas a adaptarem-se, como é o caso de Lisboa.

Ao jornal britânico “The Guardian”, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, disse que a pandemia “de certa forma, a Covid criou uma oportunidade” na cidade. “O vírus não nos pediu permissão para entrar, mas nós temos a habilidade de usar isto para pensar e perceber em que direção podemos ir para corrigir as coisas e colocá-las no caminho certo”, disse ao “The Guardian”.

O “The Guardian” distingue problemas que a cidade de Lisboa dispunha antes da pandemia atacar, como o excesso de turismo e a falta de habitação para portugueses devido às plataformas de alojamento local. “Durante séculos, as ruas estreitas que compõe o bairro de Alfama, em Lisboa, contaram a história do passado da cidade. Mas, nos últimos anos, com a proliferação de cafés e apartamentos turísticos da moda, o bairro histórico começou a contar uma história preocupante sobre o futuro da cidade”, escreve a publicação.

Também com as plataformas de alojamento local, o jornal mostra que muitos lisboetas foram empurrados das suas habitações, que entretanto concederam lugar a rendas exorbitantes, e que várias comunidades abandonaram os bairros históricos. Ao abandono em massa devido a estas plataformas, o “The Guardian” chamou-lhe “terramoturismo”, ou seja, um terramoto turístico”.

Ainda assim, com a mudança extrema de paradigma devido à pandemia, a cidade lisboeta reinventou-se com o programa que pretende transformar, com a colaboração dos respetivos proprietários que também perderam rendimentos, apartamentos turísticos em apartamentos de rendas acessíveis.

Este programa foi apresentado no passado dia 11 de novembro, quando o presidente da Câmara de Lisboa anunciou alguns apoios para o comércio e famílias. O programa surge no seguimento das Rendas Seguras, e com este apoio tem como objetivo arrendar imóveis aos proprietários para subarrendar aos lisboetas em regime de renda acessível, dando rendimento aos proprietários (rendas entre os 450 e os mil euros) durante cinco anos, isenção de IRS, IRC e IMI, e a antecipação das rendas.

Além de ajudar as famílias que têm dificuldades em encontrar uma habitação na cidade, a Câmara Municipal de Lisboa pretende ajudar os proprietários que viram os seus rendimentos cair devido à pandemia. Ainda assim, algo revelado agora pelo “The Guardian” mostra que os proprietários que optem por aderir a este programa não podem voltar ao mercado de arrendamento por curto prazo quando o negócio com a Câmara Municipal de Lisboa chegar ao fim.

“Precisamos de fazer uma mudança”, realçou Fernando Medina ao jornal britânico, acrescentando que “a forma como o mercado imobiliário funciona na cidade” deve sofrer uma mudança.

De forma a testar o modelo agora iniciado, a autarquia disponibilizou quatro milhões de euros para este programa, permitindo apenas a participação de mil propriedades. Ainda assim, caso exista uma grande procura por este programa, o Governo mostrou-se disponível para duplicar a oferta. Por enquanto, apenas 177 proprietários se mostraram disponíveis para participar neste programa.

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