Tilray inaugura em Cantanhede plantação de canábis

A maior plantação de canábis em Portugal já abriu portas. Cantanhede vai ser o centro de operações da canadiana Tilray para a União Europeia.

É a primeira fábrica em Portugal de produção de canábis para uso medicinal, inaugurada quarta-feira passada pelo CEO da empresa canadiana Tilray. As plantas começaram a ser cultivadas no final de 2017, ano em que o Infarmed atribuiu à Tilray a licença para plantar, cultivar, importar e exportar canábis medicinal a granel.

Em conversa com o Jornal Económico Brendan Kennedy conta-nos como foi o processo e o que se segue para a empresa canadiana.

A fábrica está inaugurada. Como se sente em relação ao resultado final? Corresponde às expectativas?

Sim. Estou bastante entusiasmado. Este projeto já tem três anos. Não podia estar mais satisfeito.

Qual foi o interesse da Tilray por Portugal?

Procurámos o local certo durante três anos, e encontramo-lo em Cantanhede.

Portugal tem recursos humanos altamente qualificados na área da saúde, uma comunidade científica entusiasmante e um clima ideal para o cultivo de canábis, o que permite tornar mais eficiente – ecológica e economicamente -, servir os pacientes europeus a partir de Portugal do que de outros locais na Europa.

Como é a relação com o Governo e as autoridades médicas?

Nunca é fácil ser o primeiro, mas temos orgulho na relação com a Aicep e o Infarmed. Já trabalhamos juntos há três anos. Se não tivesse confiança de que eram os parceiros ideiais não teríamos escolhido Portugal.

Acredita que esta aposta da Tilray em Portugal vai abrir portas para outros ‘players’ que possam estar interessados em investir neste mercado?

Sem dúvida, mas não estamos preocupados. Olhamos para a Tilray como empresa pioneira nesta indústria, tanto em temos de licenciamento como capacidade de importar e exportar produto. Onde quer que vamos, as outras empresas seguem.

Para quantos países antecipam exportar o produto?

Do Canadá já exportamos para 13 países. De Portugal esperamos que este verão possamos não só exportar para a UE, mas também para a Autrália, Nova Zelândia e África do Sul.

Quanto é que foi investido para a abertura da fábrica em Catanhede? Existem previsões para mais investimentos?

Até ao momento, já investimos 20 milhões de euros nestas instalações, que apresentam uma área de 2,4 hectares. Atualmente empregamos 109 pessoas, e esse número deverá duplicar até ao final do ano. Temos planos para expandir a àrea de produção ainda este ano.

Há quem diga que este mercado está avaliado em 200 mil milhões de dólares. É verdade?

É impossível saber o tamanho do mercado mundial de medicamentos à base de canábis. Sabemos que os pacientes e médicos estão a substituir medicamentos prescritos por canábis medicinal. O que não sabemos é até que ponto essa substituição está a acontecer.

Agora que a canábis medicinal foi legalizada em Portugal, tem planos para atacar o mercado português?

Esse nunca fez parte do plano. Não estávamos a construir para o mercado português porque não havia um. O nosso objetivo era exportar, mas a legalização acabou por se tornar num benefício adicional.

Artigo publicado na edição nº 1986, de 26 de abril, do Jornal Económico

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