Topo da agenda: o que não pode perder na economia e nos mercados esta semana

A época de resultados entra na reta final nos dois lados do Atlântico e são os dados económicos que centram as atenções. Na Europa o PIB do segundo trimestre volta para uma segunda leitura, enquanto nos Estados Unidos os olhos continuam postos no mercado de trabalho.

Cristina Bernardo

Segunda-feira, 1o de agosto

Evento em destaque: MercadoLibre apresenta resultados do segundo trimestre

Pouco conhecida na Europa, a argentina MercadoLibre opera os maiores marketplaces de e-commerce, leilões online e ecosistemas de pagamentos online na América Latina. Fundada em 1999, a empresa está presente em 18 países, emprega cerca de 11 mil pessoas, e no primeiro trimestre do ano registou receitas liquidas de 652 milhões de dólares, um disparo homólogo de 70,5%.

Cotadas no Nasdaq, as ações da empresa dispararam 75% este ano, beneficiando, como muitas outras empresas de e-commerce, do aumento da procura devido à pandemia. Os investidores têm preferido olhar para as taxas de crescimento e para o investimento que a empresa tem feito e não para o facto de não ter registado lucros desde 2017, tendo optado por uma estratégia de aceleração rápida.

Outros eventos em foco:

  • BdP publica Nota de Informação Estatística sobre emissões de títulos
  • EUA: expectativas dos consumidores sobre a inflação de julho
  • China: inflação em julho

Terça-feira, 11 de agosto

Evento em destaque: Índice Zew mede clima económico na Alemanha

O Zew é um dos mais importantes indicadores do clima económico na Alemanha, compilado das contribuições de cerca de 350 economistas e analistas. Em julho, o índice caiu quatro pontos para 59,3 contrariando as expectativas de uma melhoria.

Ainda assim, não ficou muito longe dos 63,4 pontos de junho, que constituiu um máximo de 14 anos com a expectativa de uma forte recuperação da maior economia da Europa no segundo semestre e no início de 2021. O consenso o Zew de julho aponta agora para uma estabilização na casa dos 59 pontos.

Outros eventos em foco:

  • EUA: Preços na produção industrial em julho
  • Rússia: PIB do segundo trimestre
  • Resultados: Vestas (Dinamarca), Intercontinental Hotels e Prudential (Reino Unido), Zalando (Alemanha)

Quarta-feira, 12 de agosto

Evento em destaque: INE publica leitura final da inflação de julho

O INE publica a segunda leitura do Índice de Preços no Consumidor de julho, após na estimativa rápida ter anunciado que a inflação homóloga subiu para 0,2% , um aumento ligeiro de 0,1 ponto percentual (p.p.) face ao mês anterior. A inflação mensal terá tido uma variação de -1,3% (em junho, a variação mensal foi 0,9% e em julho de 2019 tinha sido de -1,3%), adiantou.

Outros eventos em foco:

  • INE divulga Índice de Custo do Trabalho no segundo trimestre
  • EUA: Inflação em julho, estimativa final
  • Reino Unido: PIB do segundo trimestre, estimativa rápida
  • Resultados: Admiral (Reino Unido), E.ON (Alemanha), Orsted (Dinamarca)

Quinta-feira, 13 de agosto

Evento em destaque: Novos pedidos de subsídio de desemprego nos EUA

Os dados do mercado laboral continuam a centrar as atenções nos Estados Unidos, pois são vistos como um barómetro da força da recuperação económica. Depois de duas semanas de aumentos nos pedidos de subsídio de desemprego terem causado preocupação sobre o impacto de reversão do desconfinamento em vários estados da federação, a queda para 1,186 milhões de pedidos na semana que terminou a 1 de agosto trouxe algum alívio.

Os analistas vão continuar atentos, naturalmente, para ver se a tendência se mantém. A estimativa da Trading Economics é de um novo recuo, mas mais ligeiro, para 1,150 milhões de pedidos.

Outros eventos em foco:

  • Alemanha: Inflação em julho, leitura final
  • Espanha: Inflação em julho, leitura final
  • EUA: preços das importações e exportações em julho
  • Resultados: Carlsberg (Dinamarca), Deutsche Telekom e RWE (Alemanha), Macy’s (EUA), Baidu (China)

Sexta-feira, 14 de agosto

Evento em destaque: INE publica PIB do segundo trimestre, segunda leitura.

A 31 de julho o INE divulgou os números dramático da retração económica entre abril e junho. As medidas de confinamento aplicadas nesses meses para combater a pandemia de Covid-19 levaram a economia portuguesa a encolher 16,5% no segundo trimestre, face ao período homólogo, naquela que é a maior contração da série histórica do INE. Em cadeia, o recuo foi de 14,1%.

O Ministro da Economia, Pedro Siza Vieira sustentou que os dados estão em linha com as estimativas da Comissão Europeia, e que em junho já se registaram sinais de retoma, mas admitiu que obrigam a uma revisão das projeções do Governo, que apontavam para uma quebra de 6,9% da economia na totalidade do ano. O Governo poderá estar à espera da segunda leitura do INE para rever a projeção.

Outros eventos em foco:

  • INE divulga atividade turistica em junho
  • Eurostat divulga segunda leitura do PIB da UE e da zona euro no segundo trimestre
  • Eurostat divulga balança comercial do segundo trimestre
  • EUA: vendas a retalho em julho
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