Topo da agenda: o que não pode perder na economia e nos mercados esta semana

Uma semana depois de o Banco Central Europeu ter anunciado o relançamento da compra líquida de ativos e o na taxa de juro de depósito, será a vez da Reserva Federal norte-americana, o Banco Central do Japão e o Banco de Inglaterra a anunciarem novas medidas.

EPA/JIM LO SCALZO

Reuniões de bancos centrais sobre política monetária

A política monetária será o foco desta semana nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Japão.

Uma semana depois de o Banco Central Europeu ter anunciado o relaçamento da compra líquida de ativos  no valor de 20 mil milhões de euros por mês e o corte da taxa de juro de depósito em dez pontos base para -0,50%, será a vez da Reserva Federal (Fed) norte-americana, o Banco Central do Japão e o Banco de Inglaterra a anunciarem novas medidas.

A Fed, liderada por Jerome Powell, anuncia a decisão esta quarta-feira, após a reunião de dois dias do Federal Open Market Comittee (FOMC), que se inicia na terça-feira. Donald Trump tem lançado farpas a Powell – e voltou a fazê-lo na quinta-feira passada depois da decisão do BCE – pedindo que o banco central corte as taxas de juro. Em julho, a Fed cortou a federal funds rate para um intervalo de 2% a 2,25% pela primeira vez numa década, e poderá voltar a fazê-lo novamente numa altura em que o mercado antecipa que o FOMC anuncie uma descida de 25 pontos base.

Na quinta-feira, serão conhecidas as decisões dos bancos centrais britânico e japonês. Em Inglaterra, espera-se que os membros Bank of England’s Monetary Policy Committee sejam unânimes em manter inalteradas as taxas de juro nos 0,75%.

No mesmo dia, o Banco do Japão – o primeiro a colocar a taxa de juro diretora nos 0% no ano 2000 – terá uma decisão difícil. Contrariamente a outros bancos centrais asiáticos, que ainda têm espaço para alterar as taxas de juro para fazer face ao abrandamento do crescimento económico, o Banco do Japão encontra-se asfixiado para baixar ainda mais as taxas de juro. Mas, se não alterar a política monetária, arrisca-se a contribuir para a apreciação do Yen e para empatar o crescimento da economia japonesa.

Dados económicos

Esta semana será recheada por dados económicos. Na zona euro, serão publicados as estimativas rápidas sobre o índice de confiança no consumo e a produção no mercado imobiliário.

Na Alemanha, o motor da economia europeia, serão divulgados os índices de confiança sobre o investimento e os preços de produção.

Nos Estados Unidos, serão divulgados dados sobre o mercado imobiliário e na China serão apresentados os números sobre a produção industrial.

Testes de fogo para a Facebook e Apple

A Libra, a criptomoeda do Facebook, será analisada por reguladores depois de os governos dos Estados membros da União Europeia terem alertado para o risco de desestabilização financeira da moeda digital de Mark Zukerberg.

Em Basileia, na Suíça, representantes da criptomoeda terão reuniões com 26 bancos centrais, incluindo a Fed e o Banco de Inglaterra.

A Apple, que anunciou esta semana a nova gama de iPhones e serviços, defende os argumentos perante Tribunal de Justiça da União Europeia sobre o recurso que interpôs contra a condenação de pagar 13 mil milhões de euros de impostos à Irlanda. A União Europeia tem reforçado os esforços de aumentar as gigantes da internet a pagarem cada vez mais impostos.

 

Draghi lança novos estímulos e pede aos governos para gastarem mais

Ler mais
Relacionadas

BCE relança compra líquida de ativos: 20 mil milhões por mês a partir de novembro

Draghi tinha acenado e cumpriu: o BCE tem novas medidas de estímulo. Além do reinício da compra de dívida, anunciou um corte de 10 pontos base na taxa de depósito para -0,50% e medidas de mitigação do impacto na banca. O ‘forward guidance’ também foi alterado para sinalizar que as taxas vão continuar baixas por mais tempo.

Incerteza global e preços da energia forçam BCE a rever em baixa as projeções

O reconhecimento que o ‘outlook’ para a inflação e para o crescimento económico está mais negativo levou o BCE a anunciar várias medidas de estímulo esta quinta-feira.

S&P mantém ‘rating’ de Portugal, mas sobe ‘outlook’ para positivo

Agência norte-americana manteve a notação financeira de Portugal no segundo grau de investimento, mas subiu o ‘outlook’ de ‘estável’ para ‘positivo’. Política monetária do BCE, juntamente com os ganhos de competitividade em Portugal, melhoraram a resiliência externa da economia e reduziram o custo do serviço da dívida externa, justificou a S&P.
Recomendadas

Bolsa nacional acompanha Europa, dominada pelo tema Brexit

Em Lisboa, há quinze empresas cotadas a negociar em alta, uma em baixa e duas sem variação.

Brexit, uma história interminável

O mercado está agora numa fase de algum risco acrescido, que a época de resultados não tem conseguido amenizar, até porque as empresas não fazem milagres e o ambiente económico é hoje bem mais desafiante do que há um ano

Topo da agenda: tudo o que não pode perder na economia e nos mercados esta semana

A reunião do BCE esta quinta-feira será a última do mandato de Mario Draghi, numa semana na qual a incerteza sobre o Brexit irá continuar. A época de resultados chega ao PSI 20, com a Galp e a Jerónimo Martins a divulgarem números do terceiro trimestre.
Comentários