Topo da agenda: tudo o que não pode perder na economia e nos mercados esta semana

A reunião do BCE esta quinta-feira será a última do mandato de Mario Draghi, numa semana na qual a incerteza sobre o Brexit irá continuar. A época de resultados chega ao PSI 20, com a Galp e a Jerónimo Martins a divulgarem números do terceiro trimestre.

Ralph Orlowski/Reuters

A despedida de Mario Draghi

Zero ação, algum drama e muita emoção. Esta quinta-feira Mario Draghi irá presidir ao Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) pela última vez, antes de passar a presidência da instituição a Christine Lagarde no final do mês.

Os analistas são consensuais, após o anúncio de um pacote alargado de novos estímulos em setembro, o BCE não deverá apresentar alterações à política monetária. A reunião não será, no entanto, parca em focos de interesse. A natural análise ao mandato de Draghi, o presidente que jurou salvar o euro (e conseguiu), irá ser de certa forma ensombrada pelas divisões no Conselho de Governadores sobre o relançamento do programa de Quantitative Easing anunciado em setembro.

Época de resultados chega a Portugal

A season de contas do terceiro trimestre já começou há cerca de duas semanas lá fora e agora chega a Portugal, logo com dois ‘pesos-pesados’ do índice PSI 20. A Galp Energia é, como habitualmente, a primeira cotada a divulgar contas, mas com um bónus desta vez. A petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva apresenta não só os resultados esta terça-feira, antes da abertura do mercado, mas também uma atualização estratégica. No dia seguinte, após o fecho, é a vez da retalhista Jerónimo Martins apresentar resultados

Na Europa, a época ganha ritmo. No setor automóvel, a Peugeot (terça-feira), Daimler (quinta-feira) e Renault (sexta-feira) deverão ser os destaques, enquanto na banca a atenção dos investidores deverão estar os números do Royal Bank of Scotland (quinta-feira), o Sabadell e o Barclays (ambos sexta-feira).

Do outro lado do Atlântico, a agenda inclui os resultados de gigantes tecnológicas como a Microsoft (quarta-feira), Intel e Amazon (ambas quinta-feira). Destaque ainda para os números da Caterpillar e da Boeing (ambas na quarta-feira), duas empresas que têm estado pressionadas, a primeira devido ao impacto da guerra comercial e a segundo devido a acidentes de aviação.

Brexit e o prazo

O Super Saturday na qual os deputados reuniram em Westminster em sessão extraordinária pela primeira vez em 37 anos acabou por ser um evento típico da saga do Brexit – pouco consenso e muitas dúvidas sobre os próximos passos. Boris Johnson acabou por pedir à União Europeia uma extensão ao prazo de 31 de outubro, mas explicou que novo atraso não serve a ninguém.

O primeiro-ministro britânico quer marcar para esta um debate e ‘voto significativo’ sobre o acordo que conseguiu com Bruxelas, mas ainda não é certo que o presidente do Parlamento o agende. A União Europeia terá de reagir ao pedido de extensão, mas segundo a maioria dos analistas é pouco provável que aprove o atraso, pelo menos para já.

 

 

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