Trabalhadores da Petrogal marcam manifestação contra encerramento da refinaria do Porto

Apelando à participação na manifestação de 12 de janeiro entre a refinaria do Porto e a Câmara Municipal de Matosinhos, contra o encerramento da “refinaria do Norte”, onde trabalham perto de 400 trabalhadores, a Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal acusa o presidente executivo da Galp, Carlos Gomes da Silva, de “branquear e alijar responsabilidades próprias” e diz que o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, foi “porta-voz da Administração da Galp” no processo de encerramento da refinaria. A CTT recorda a memoria do histórico trabalhador Hugo Basto, recentemente falecido, que toda a vida lutou pelo crescimento e investimento nas refinarias portuguesas.

Shrikesh Laxmidas

No primeiro comunicado do ano da Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Petrogal, de 4 de janeiro, foi recordada, com pesar, a memória do histórico trabalhador da Petrogal, Hugo Basto, fundador da empresa, que tinha entrado para a Sacor antes da refinaria de Matosinhos ter sido inaugurada. Esta quinta-feira, 8 de janeiro de 2021, a CCT da Petrogal emite o seu segundo comunicado apelando à participação de todos os trabalhadores da Galp na manifestação marcada para terça-feira, 12 de janeiro, às 15h00, entre a “refinaria do Porto e a Câmara Municipal de Matosinhos, local onde será realizado plenário geral de trabalhadores”, como forma de luta contra o encerramento da refinaria do Norte, acusando o presidente executivo da Galp, Carlos Gomes da Silva, de “branquear e alijar as responsabilidades próprias”, ao mesmo tempo – diz a CCT – que o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, serviu de porta-voz à Administração da Galp, no Natal, para acelerar o encerramento da unidade onde trabalham cerca de 400 trabalhadores.

Em memória a Hugo Basto, que lutou pelo crescimento da Petrogal e de Galp, promovendo o seu desenvolvimento e a criação de muitos postos de trabalho naquele que chegou a ser a maior empresa industrial portuguesa em capitalização bolsista, distribuindo centenas de milhões de euros em dividendos aos acionistas, a CCT recordou um dos poemas que Hugo Basto mais apreciou – “Existe um verso em branco e sem medida, Um corpo que respira, um céu aberto, Janela debruçada para a vida” – evocando o seu exemplo como “destacado representante dos trabalhadores da Petrogal, foi coordenador da CCT e dirigente sindical durante vários anos”, homem com uma “inabalável convicção de que é possível um futuro melhor e que são os trabalhadores os seus obreiros” que batalhou incansavelmente ao serviço do desenvolvimento do país, “com particular destaque na dinamização das refinarias”.

Hugo Basto “foi fundador da Petrogal, participou no processo ambicioso de integração de trabalhadores de várias empresas numa só. Daqui resultou a criação de milhares de postos de trabalho, com direitos e vínculos iguais e significou um grande salto na qualidade de vida daqueles trabalhadores. Foi membro da Comissão Fiscalizadora de Gestão da Empresa como Representante dos Trabalhadores até à
extinção desse órgão aquando do início da privatização e ainda da Comissão Central de Higiene e Segurança, hoje Comissão de Saúde e Segurança no Trabalho”, recorda a CCT da Petrogal.

No atual momento difícil para os trabalhadores da refinaria de Matosinhos, a CCT da Petrogal “invoca a memória de um camarada que caminhará ao nosso lado e servirá de referência que nos esforçaremos por honrar”, recordando igualmente, mas pela negativa, a mensagem de Natal do Presidente da Comissão Executiva da Galp, Carlos Gomes da Silva, onde referiu que a” transição energética foi acelerada pela pandemia”. “Esta é uma forma higiénica de colocar o problema, de branquear e alijar as responsabilidades próprias – de Carlos Gomes da Silva – em todo o processo” em causa.

“A transição energética acrescenta um fator de instabilidade, porém, esta medida, como outras já anunciadas, nada resolvem nesse campo e apenas balizam a corrida da Administração à subsidiação pública da sua
atividade, algo que até há pouco tempo, a inexistência desse tipo de financiamento era tida pelo mesmo Presidente da Comissão Executiva como motivo de orgulho e independência”, refere a CCT.

“Desde há largos meses que a Administração faz uma gestão da informação centrada em dois pontos, encontrar uma justificação que seja minimamente coerente para tentar encerrar a Refinaria do Porto e reduzir as ondas de choque daí decorrentes, tanto nos trabalhadores como na região”, adianta o comunicado da CCT, considerando igualmente que “o ministro do Ambiente deu o mote e serviu de porta-voz da Administração, pressionando e ao mesmo tempo, tornando mais fácil a comunicação, revelada mais tarde, nas vésperas do Natal”.

“Dizer que as coisas não jogam entre si é uma evidência redundante, também para a Administração, pelo que a CCT considera que a escolha da data foi feita de uma forma meticulosa, cujo objetivo foi aplacar a resposta imediata dos trabalhadores e da população afetados pelo pretendido encerramento da refinaria. Já percebemos que não resultou”, diz a CCT.

“Como ‘cereja no topo do bolo’ surgiu a entrega de cabazes de Natal em casa dos trabalhadores, que foi encarada por muitos como uma prenda envenenada, mesmo ofensiva. De referir também que foi a primeira vez que tal iniciativa foi levada a cabo desta forma. A outra evidência tem a ver com a gestão de todo o processo pela Administração em função da data do anúncio, querendo isto dizer que todos os estudos assumidos no âmbito do referido Grupo de Trabalho da Refinação para alegadamente encontrar soluções técnicas para as refinarias, foram em parte uma manobra de diversão para prolongar no tempo o anúncio da decisão já tomada, antes sequer da paragem das unidades de combustíveis em Outubro”, reconhece a CCT da Petrogal.

“Impõe-se da parte da Administração um pedido de desculpas aos trabalhadores que empenhadamente e de uma forma genuína trabalharam para encontrar soluções que possibilitassem a continuidade das duas refinarias que constituem o Aparelho Refinador Nacional”, exige a CCT, considerando “a intenção manifestada pela Administração de encerramento da Refinaria do Porto como uma medida desgarrada, que pretende somente alimentar a máquina dos dividendos e dá conta das previsíveis dificuldades de financiamento, inauguradas na Assembleia-geral de 24 de abril, aliás como foi denunciado pela CCT nesse mesmo dia”.

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