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Trump admite controlar estreito de Ormuz com ayatollah do Irão

Trump disse que Washington e Teerão já chegaram a acordo em 15 pontos. Negociações não estão a ter lugar com o líder supremo do Irão, mas sim com o ministro dos Negócios Estrangeiros. Petróleo e gás agravam perdas.
23 Março 2026, 15h02

O presidente dos EUA admite vir a controlar o estreito de Ormuz com o ayatollah do Irão.

Donald Trump disse hoje que o estreito vai “abrir muito em breve”, admitindo o controlo conjunto desta crucial via marítima por si e pelo “ayatollah, seja quem for”.

O estreito de Ormuz era por onde passava 20% do petróleo e do gás do mundo, até ao início da guerra, quando o Irão bloqueou o acesso.

Sobre as negociações com o Irão disse que está a falar com uma “pessoa de topo” no Irão, segundo a “CNN”.

“Ainda existem alguns líderes. Estamos a lidar com o homem que eu acredito ser o líder e o mais respeitado”, segundo Trump, rejeitando que esteja a negociar com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei.

A “Axios” revelou que a Turquia, Egipto e Paquistão têm estado em contacto com os EUA e o Irão para tentar chegar a um cessar-fogo e, eventualmente, um acordo de paz.

Os três países têm negociado com o enviado especial de Trump para o Médio Oriente Steve Witkoff, e com o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros Abbas Araqchi.

Este ministério disse que haviam “iniciativas” para reduzir tensões, mas que quer os EUA a participar diretamente, avançou a agência noticiosa Mehr.

O petróleo agrava as perdas, recuando mais de 11% para 94 dólares, com o gás a descer mais de 7% para 55 euros/MWh.

Até agora, foram atingidos 15 pontos de acordo entre Washington e Teerão, incluindo o compromisso de que o Irão não vai procurar ter armas nucleares no futuro.

Sobre a intenção de aliciar sanções ao crude iraniano, disse que o objetivo é aumentar o petróleo no mercado para evitar uma crise energética, considerando que não “fará qualquer diferença” na guerra.

Donald Trump anunciou hoje cinco dias de tréguas com o Irão após negociações. Desta forma, Washington e Teerão vão se abster de atacar alvos energéticos.

O presidente norte-americano tinha ameaçado começar a atacar centrais elétricas no Irão, se o país não reabrisse o estreito de Ormuz. Por sua vez, Teerão também ameaçou atacar centrais de produção de eletricidade no país.

Trump revelou que os EUA estiveram em negociações com o Teerão e que chegaram a acordo, depois de “conversações muito boas e produtivas” com o objetivo de atingir uma “resolução total e completa das hostilidades no Médio Oriente”.

As negociações vão continuar ao longo desta semana, com Trump a dar ordens ao Ministério da Guerra para “adiar todos e quaisquer ataques militares contra as centrais energéticas iranianas” durante um período de cinco dias, sujeito ao “sucesso das discussões”.

Entretanto, Israel está esta segunda-feira novamente a atacar o Irão.

Por sua vez, o regime de Teerão disse hoje que não manteve qualquer negociação com Donald Trump e que o presidente norte-americano decidiu as tréguas unilateralmente.

“Não houve comunicações diretas ou indiretas com Trump”, disse a agência iraniana Fars, citando um alto responsável de segurança, sob anonimato.

“Ele retirou-se após ouvir que os nossos alvos seriam centrais elétricas em toda a Ásia Ocidental”, segundo a mesma fonte citada pela “Bloomberg”.

Já a agência iraniana Tasnim News também cita um alto responsável da defesa, também anónimo, que garante que o estreito de Ormuz vai manter-se fechado. Sobre o anúncio de Trump, considera que é guerra psicológica e que o regime vai continuar a defender o seu país. A ideia de Trump, segundo este responsável, é tentar baixar os preços de energia nos mercados internacionais.

Ambas as agências são consideradas próximas da Guarda Revolucionária do Irão.

 

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