Trump com via aberta para reformatar sociedade dos EUA após morte de juíza Ruth Bader Ginsburg

Se o presidente norte-americano conseguir substituir a juíza que hoje falceu por um outro ligado ao Partido Repúblicano, este poderá ser o legado mais duradouro do mandato do líder dos Estados Unidos.

A morte da juíza do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, Ruth Bader Ginsburg, aos 86 anos, revelada hoje, dia 19 de setembro, poderá deixar via aberta para que o presidente Donald Trump proceda a transformações na sociedade norte-americana que se poderão sentir na próxima geração, nos próximos 30 a 40 anos, preveem diversos analistas e órgãos de comunicação social dos Estados Unidos.

“A morte da juíza Ruth Bader Ginsburg espoletou uma luta política titânica que poderá formatar o futuro das decisões do Supremo Tribunal dos Estados Unidos para a próxima geração em temas como o aborto, direitos de voto e outros temas fundamentais”, antevê na edição ‘online’ de hoje, doa 19 de setembro, o jornal ‘The Guardian’.

De acordo com o mesmo órgão de comunicação social, “esta luta poderá igualmente determinar os contornos da sociedade americana para os próximos 30 ou 40 anos, tendo em conta o papel central que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos desempenha na legislação sobre temas culturais, sociais e políticos”.

“A confirmação desta próxima batalha por parte do Senado [norte-americano] irá funcionar como um lembrete relativamente à influência que o tribunal [Supremo Tribunal dos EUA] detém no âmbito do sistema de governação dos Estados Unidos e sobre o impacto que tem na vida corrente dos cidadãos”, adianta o referido artigo do ‘The Guardian’.

O mesmo jornal assinala que “Donald Trump já nomeou dois juízes para o Supremo Tribunal – mas ambos eram conservadores [republicanos] a substituir conservadores. Se o presidente for bem sucedido na substituição de [da juíza] Ginsburg, essa decisão irá alterar de forma fundamental a composição do tribunal, uma vez que irá substituir um [juiz] liberal [democrata] por outro conservador. Tal decisão irá assegurar uma maioria atraente no tribunal e provavelmente mudar a vida norte-americana de uma forma sem precedentes”.

“A capacidade do Supremo Tribunal [dos EUA] de interpretar legislação, desde o aborto até aos direitos de voto, passando pela segregação racial e pelos assuntos da comunidade LGBTQ+ significa que uma nomeação bem sucedida [por parte do presidente norte-americano] será provavelmente o legado mais duradouro de Trump. A justiça do Supremo Tribunal serve fins abertos, impactando o país décadas depois de qualquer presidente abandonar a Casa Branca”, alerta o ‘The Guardian’.

Face a esta eventualidade, a grande maioria dos dirigentes do Partido Democrata pretende que a substituição de Ruth Bader Ginsburg por um novo juiz no Supremo Tribunal dos Estados Unidos só seja assumida pelo presidente norte-americano que for nomeado nas eleições previstas para 3 de novembro próximo.

“No último século, o tribunal desempenhou um papel fundamental a reformatar a sociedade dos Estados Unidos. Em 1954, decretou que a segregação escolar era inconstitucional. Em 1973, o processo Roe v Wade determinou a legalização do aborto. Em 2015, tornou legal o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Para alguns, houve deciõses que tiveram efeitos perniciosos. Em 2010, o tribunal retirou a maioria das restrições aos gastos das grandes empresas em campanhas políticas. Em 2013, extirpou as proteções aos direitos de voto em vigor desde a era dos direitos civis [nos Estados Unidos]”, explica o ‘The Guardian’.

O artigo prossegue: “tais são as formas como este tribunal impacta de forma material nas vidas dos cidadãos norte-americanos” e “é por isso que a batalha pela substituição de Ginsburg representa uma luta totémica para o futuro da América”.

A juíza Ruth Bader Ginsburg liderava a ala liberal (democrata) do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, apesar de, tecnicamente, se dever posicionar de uma forma apolítica, como, aliás, qualquer juiz do Supremo Tribunal dos Estados Unidos.

“A morte de Ginsburg’s desferiu um profundo golpe, como um luminoso relâmpago, nas eleições presidenciais de 2020 [nos Estados Unidos], que já foram descritas como as mais importantes no tempo de uma vida. Parece que está prestes a colocar o tribunal no centro de um furacão de categoria 5 de briga partidária, maquinações políticas e profunda incerteza”, conclui o artigo do ‘The Guardian’.

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