Turismo com crescimento moderado mas “não é possível crescer infinitamente a dois dígitos”, frisa presidente da CTP

Para o presidente da CTP, passar à ação, traduz-se, entre outros pontos fundamentais, em solucionar o problema do aeroporto de Lisboa, que já leva mais de 50 anos de discussão pública.

Cristina Bernardo

Na certeza de que os hoteleiros “estão conscientes de que a competitividade da atividade depende de um turismo alicerçado nos princípios da sustentabilidade, na oferta diversificada e na valorização das suas características distintivas e inovadoras”, Francisco Calheiros, presidente da CTP – Confederação do Turismo Português, alertou os os mais de 400 participantes no 31.º Congresso Nacional da Hotelaria e do Turismo, promovido pela AHP – Associação da Hotelaria de Portugal, para os principais desafios que se colocam no futuro.

A preparação do futuro do setor, como desafia este congresso, a decorrer em Viana do Castelo, até à próxima sexta-feira, assenta num presente em que Francisco Calheiros destaca o registo de um “crescimento moderado – porque não é possível crescer infinitamente a dois dígitos por ano – mas mais maduro, sustentado, em todos os indicadores e em muitos novos mercados como os Estados Unidos, Canadá, Brasil, China, entre outros”. “Mas ainda assim, um crescimento acima da Europa. Segundo antecipou recentemente o World Travel & Tourism Council (WTTC), Portugal vai crescer até ao final de 2019 mais do dobro da média europeia”, reforçou.

Neste contexto, passar à ação, em seu entender traduz-se, entre outros pontos fundamentais, em solucionar o problema do aeroporto de Lisboa, que já leva mais de 50 anos de discussão pública. Recordando que o parecer favorável da Agência Portuguesa do  Ambiente à solução do Montijo retira fundamentação aos seus opositores, e certo de que terá impacto na avifauna, no ruído e na mobilidade, questiona: “Que aeroporto em qualquer outra parte do mundo não provocou alterações ambientais, económicas ou sociais? Para isso, existem medidas de mitigação e compensação ambiental, que acreditamos que serão devidamente aplicadas. O que não podemos é esperar por mais estudos e pareceres, nem analisar outras soluções, já muito analisadas e discutidas”.

Os desafios prendem-se ainda com a falta de recursos humanos,  um pilar da atividade que tem de ter mais e melhor qualificação profissional; mais especialização e reforço da formação; programas de reconversão para novas competências; canais de circulação de trabalhadores de outros estados da União Europeia e não só; e ainda uma melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores no domínio da retribuição, benefícios sociais e
motivação. “Em momento algum, podemos esquecer que a nossa atividade depende de pessoas. E que a nossa ambição deverá sempre alcançar a excelência do serviço, trabalhando, sempre, com os melhores profissionais”, conclui.

A estas questões juntam-se ainda a reforma de Estado, para o responsável “a urgência de avançar para uma verdadeira reforma de Estado que conduza à melhoria e sustentabilidade futura do sistema da Segurança Social, Saúde, Justiça e Ensino”; e o desafio da crise demográfica. O Eurostat renovou recentemente as projeções que indicam que Portugal será, em 2050, o país mais envelhecido da Europa. No final do século em cada 100 jovens haverá o triplo de idosos. Uma preocupação que a CTP espera possa merecer uma rápida intervenção: “O impacto desta crise demográfica na economia nacional pode superar as nossas piores expetativas. Estamos, pois, perante uma urgência nacional”, reforçou Francisco Calheiros.

 

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