Turismo em Portugal beneficiou de atentados terroristas em França, Alemanha e Reino Unido, aponta estudo

O estudo que avalia os efeitos do terrorismo nos países europeus na chegada de turistas indica Portugal como um país seguro. Contudo, “ataques cometidos em Espanha têm uma contribuição negativa para a vinda de turistas da Ásia para Portugal”, segundo uma das autoras.

Países como França, Alemanha e Reino Unido são três dos principais destinos turísticos na Europa, mas o aumento de tentativas de ataques e a concretização de atentados terroristas entre 2002 e 2016 nesses países, provocou uma reorientação e um desvio dos turistas da Ásia, América do Norte e Europa para destinos como Portugal, aponta o estudo promovido pela Universidade de Coimbra (UC) e do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), divulgado esta terça-feira e que já foi publicado na revista científica “Annals of Tourism Research”.

“Os ataques terroristas têm tido um efeito muito positivo nas chegadas turísticas em Portugal, isto é, atentados terroristas em países que são grandes mercados recetores como França, Alemanha e Reino Unido têm desviado turistas de grandes mercados emissores, nomeadamente da Ásia, da América do Norte e também da Europa para o nosso país”, explica a primeira autora do estudo e professora da Faculdade de Letras da UC, Cláudia Seabra, em comunicado.

O estudo que avalia os efeitos do terrorismo nos países europeus na chegada de turistas a Portugal, indica o país como seguro. Contudo, “ataques cometidos em Espanha têm uma contribuição negativa para a vinda de turistas da Ásia para Portugal”, frisa Cláudia Seabra.

“Isto acontece porque, para estes turistas, Espanha e Portugal pertencem ao mesmo território ibérico, pois estão localizados na mesma área geográfica e de risco, provando o efeito de contágio”, elucida.

Mas a segurança de um país se mede pelo nível de propensão a ataques terroristas. Fatores de risco como violência, criminalidade, doenças, catástrofes naturais ou instabilidade política também contribuem para aferir a segurança de um território. Mas esses fatores são sinais “mais ou menos” previsíveis. “O terrorismo é completamente aleatório e imprevisível. E os últimos atentados têm-nos mostrado isso”, realça a docente de Coimbra.

A questão da segurança influenciar os fluxos turísticos e, por isso, segundo Cláudia Seabra, Portugal deve capitalizar a tendência aferida pelo estudo e, em termos de promoção, apostar noutros mercados.

“Nós estamos muito dependentes de mercados europeus, como Reino Unido ou Alemanha, e este estudo prova que há outros mercados muito interessados em Portugal, nomeadamente o mercado africano. Embora não sendo o mercado com o maior número em termos de chegadas, é um mercado muito importante em termos de receitas porque os turistas que vêm gastam muito dinheiro”, conta.

Os mercados asiáticos e norte-americanos também deveriam ser mais explorados, segundo a autora do estudo.”Tem-se notado um aumento nas chegadas ao nosso país, e sendo mercados que estão mais longínquos de Portugal, têm estadas muito mais longas e por isso também geram receitas mais elevadas. Se não diversificarmos os mercados, corremos o risco de nos tornarmos num destino massificado e pouco prestigiado. Ou seja, já não se trata de aumentar o número turistas, mas sim de estabilizar o número de chegadas e aumentar as receitas. Este é o esforço que o nosso país tem de fazer”, argumenta.

Financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), este foi o primeiro estudo a analisar os efeitos que os atentados terroristas podem ter sobre a procura turística num país sem registo de episódios deste tipo. Portugal foi o país escolhido pela equipa, constituída por Cláudia Seabra, José Luís Abrantes e Pedro Reis, por ser considerado um país seguro, um dos poucos no mundo onde não há registo de atentados terroristas.

O estudo abrangeu o período compreendido entre 2002 e 2016. Numa primeira fase, os investigadores analisaram em simultâneo as chegadas de turistas a Portugal, classificados por região de origem, e os eventos de terrorismo ocorridos nos países considerados pela Organização Mundial do Turismo como fazendo parte da região turística europeia, durante o mesmo período de tempo, observando o número e a severidade (medida em função da frequência, número de feridos e mortos) dos atentados.

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