Turquia invade norte da Síria: EUA retiram tropas e terroristas do Estado Islâmico fogem da prisão

O SDF tem sido um aliado dos EUA no combate contra o Estado Islâmico. Perdeu 11 mil combatentes nos últimos anos e tem agora 10 mil terroristas na sua custódia. Mas o Governo de Ancara quer combater os curdos que são uma parte essencial do SDF e a sua invasão está a provocar o caos no norte da Síria.

Yves Herman / Reuters

Ao quinta dia da invasão do norte da Síria, o exército turco está a criar caos no terreno, lançando incerteza sobre o futuro de um território controlado até há poucos anos pelo Estado Islâmico, e tensões diplomáticas entre Ancara e os seus parceiros da NATO.

O Governo de Erdogan decidiu invadir o norte da Síria para combater a milícia curda YPG, que faz parte das Forças Democráticas da Síria (SDF). Para Ancara, o YPG é um grupo terrorista que ajuda os insurgentes curdos a atuarem na Turquia.

Mas o SDF tem sido um dos principais aliados dos Estados Unidos na Síria para travar o Estado Islâmico, perdendo 11 mil combatentes nos últimos anos na luta contra estes terroristas. O SDF detém atualmente 10 mil terroristas do Islâmico, incluindo dois mil estrangeiros que deixaram os seus países para combater na Síria com o objetivo de criar um califado neste país.

O ataque da Turquia, que já controla 23 aldeias, no norte da Síria já provocou a libertação de centenas de terroristas do Estado Islâmico que estavam presos num campo de prisioneiros do SDF nesta região.

A operação militar já provocou 100 mil desalojados desde quarta-feira, com mercados, escolas e clínicas a permanecerem fechados, segundo as Nações Unidas, de acordo com a Associated Press. As agências alertam para o risco de uma crise humanitária, com meio milhão de pessoas em risco nesta região. A Turquia diz que já matou 440 combatentes do SDF, e que já morreram quatro soldados turcos e 16 soldados sírios que apoiam os otomanos.

Os Estados Unidos vão retirar as suas tropas do norte da Síria, anunciou o Governo norte-americano este domingo. A decisão de tirar mil soldados da região acontece depois dos EUA terem tido conhecimento que o exército turco pretende alargar a sua ação militar após a invasão do país.

“Nas últimas 24 horas, soubemos que os turcos provavelmente têm a intenção de atacar mais a sul e a oeste do que originalmente planeado”, disse o ministro da Defesa dos EUA, Mark Esper em entrevista ao canal televisivo CBS, citado pela Reuters.

O presidente norte-americano também anunciou que está em conversações com membros do Congresso norte-americano para impor “sanções poderosas” à Turquia.

As Forças Democráticas da Síria também pretendem fechar um acordo com a Rússia para tentar conter a ofensiva de Ancara, revelou o ministro.

“Também soubemos que nas últimas 24 horas que o SDF está a tentar chegar a acordo com o sírios e os russos para tentar travar o ataque dos turcos no norte”, segundo Mark Esper.

Noutra entrevista, o ministro da Defesa revelou que o presidente turco informou previamente os EUA da sua intenção de invadir a Síria. “É claro para mim que o presidente Erdogan estava comprometido que iria avançar. Ele informou-nos que ia entrar. Ele não pediu licença”, contou na Fox News.

O governante esclareceu que a presença militar norte-americana na região não é suficiente para travar o exército turco. “Não existe forma de travarem 15 mil turcos de avançaram para sul”, resumiu.

O Governo de Erdogan tem como objetivo criar uma zona de segurança no norte da Síria para realojar 3,6 milhões de refugiados sírios que vivem na Turquia.

Recep Tayyip Erdogan já ameaçou enviar estes 3,6 milhões de refugiados para a Europa, se a União Europeia não apoiar a incursão militar turca na Síria.

Membro da NATO, a Turquia enfrenta a possibilidade de sanções por parte de outros membros da NATO, como os Estados Unidos. Já a França e a Alemanha ameaçaram suspender a venda de armas para a Turquia. Por sua vez, a Liga Árabe considera que a invasão turca é uma “invasão de um país árabe”.

Angela Merkel telefonou ao presidente turco este domingo a exigir o “fim imediato da operação militar”.

Por seu turno, o presidente francês “reiterou a necessidade de fazer com os turcos parem a sua ofensiva imediatamente”, disse Emmanuel Macron a Donald Trump numa chamada realizada no sábado.

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A organização, que conta com uma ampla rede de observadores no terreno, disse que há feridos, mas não precisou o número exato.
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