Uaucacau planeia chegar a Lisboa ou Porto até final do ano

A empresa produz chocolates artesanais, com sabores típicos da Madeira, que são obtidos através de produtores regionais.

O gosto por trabalhar o chocolate foi o que levou Tony Fernandes a desenvolver a Uaucacau. A empresa produz chocolates artesanais, com sabores típicos da Madeira, que são obtidos através de produtores regionais, e tem como objetivo abrir um estabelecimento em Lisboa, ou no Porto até ao final do ano.

A ideia passa por manter “a identidade do chocolate Made In Madeira. O que nos distingue é ser um produto feito na Madeira à mão. Essa é a nossa diferenciação”, explica Tony Fernandes. O sucesso do projeto tem sido tal que o responsável da empresa confessa que já foi abordado no sentido de ‘franchisar a marca’, algo que diz não querer fazer, e para revenda dos produtos da Uaucau em diversos espaços.

“Neste momento decidimos ser nós próprios a criar as nossas ligações e o nosso espaço. Irmos devagar. Não queremos colocar o nosso chocolate nas mãos de qualquer um”, revela.

Mas antes de todo este reconhecimento é preciso recuar a 2007 para identificar um dos momentos mais importantes para o surgimento da Uaucacau. “Eu antes de avançar para este projeto estive um ano e meio, sensivelmente, a trabalhar com um mestre chocolateiro e foi assim que passei a gostar”, conta o responsável pela Uaucacau.

“Eu nunca dizia que ia ser chocolateiro. Foi preciso experimentar. Durante esse ano e meio lançaram-me o desafio de aprender a base do chocolate. Ia para o trabalho motivado até a empresa fechar”, recorda.

O fecho da empresa, em 2009, leva Tony Fernandes a trabalhar como responsável pelos pontos de venda no Aeroporto. “Tinha um bom ordenado, e boas condições mas não gostava daquilo que fazia”, explica.

Este acontecimento levou a que explorasse outro caminho através da reabertura de um restaurante, chamado Estrela, e foi neste espaço que foram feitos os primeiros bombons.

Este restaurante acabou por fechar, em 2013, mas o sonho do chocolate permaneceu. Tony Fernandes decidiu criar um laboratório, em casa, que acabou por servir de base para aquilo que é a Uaucacau. As coisas acabaram por ganhar tracção através de uma candidatura ao Instituto de Desenvolvimento Empresarial (IDE), que foi aceite, o que permitiu que a Uaucacau se estabelecesse na Rua da Queimada de Baixo, em 2015, onde mantém o seu estabelecimento.

“A primeira dificuldade foi implementar o conceito do chocolate numa ilha que tem um clima tropical onde a cultura do chocolate não é muito praticada”, diz.

A ambição e o espírito empreendedor foram características que ajudaram a construir e criar este negócio do chocolate na Madeira, e certamente úteis na expectativa  do chocolateiro, em tornar a Uaucacau uma “grande marca”.

Desde a abertura da Uaucacau já foram estabelecidas parcerias com o Blandy, a Fábrica do Ribeiro Sêco, o Engenho da Calheta, Alves de Barros o que comprova a projecção do conceito.

“O Blandy foi a primeira empresa que começamos a trabalhar em parceria ainda tinha o meu laboratório montado em casa. Comecei a desenvolver chocolates para os diversos vinhos”, recorda.

As escolhas destas parcerias têm um próposito. “Temos o cuidado de trabalhar com os melhores de cada setor”, confessa.

A Uaucacau conta com mais de 50 referências de bombons numa oferta que depende da fruta da época, da altura do ano, ou de alguma festividade, como por exemplo o natal.

Atualmente a empresa tem três pontos de venda no Funchal, um na Rua da Queimada de Baixo, outro no Mercado dos Lavradores, e ainda outro no La Vie, através da Chocolatin.

O espaço no Mercado dos Lavradores, passou por uma fase de remodelação mais recentemente, o que serviu para incorporar inovações no serviço, como as espetadas de fruta, e os gelados à base de chocolate.

“O chocolate enquadra-se muito bem no mercado como um produto prestigiado. Daí a nossa aposta. Não queremos desvirtuar aquilo que somos. Tudo o que fazemos tem por base o chocolate”, explica.

A Uaucacau consegui construir uma base que lhe permite ter públicos e ofertas para os mais diversos gostos.

“Cada vez mais as pessoas procuram chocolates com mais intensidade de cacau. Dos 75% para cima até aos 100%. Temos também produtos para diabéticos.”, explica.

Entre essa oferta inclui-se um bombom de maracujá, que foi distinguido com uma medalha de ouro no Concurso Nacional de Chocolate, em 2014, e as trufas, dois dos produtos mais procurados pelos clientes que visitam a Uaucacau.

“O prémio fez-nos acreditar e a querer fazer mais e melhor no mundo do chocolate”, realça Tony Fernandes.

O trabalho de equipa é outra característica, explica o reponsável pela Uaucacau, importante na criação dos produtos.

“O objetivo passa por impulsionar as pessoas, que gostem daquilo que fazem, e lançar-lhes desafios. Sozinho não faço nada”, destaca.

O chocolate já levou Tony Fernandes a fazer formação em Barcelona e em Itália no sentido de continuar a aprender  a arte de fazer chocolate.

“Queremos estar sempre atualizados, saber como dar resposta aos pedidos dos clientes, daí a necessidade de irmos lá para fora aprender com os melhores”, destaca.

A Uaucacau distingui-se também por ter marca Madeira um símbolo que tem sido importante junto dos estrangeiros que visitam o espaço. “Eles ficam maravilhados. Já recebemos contactos por parte de pessoas da Alemanha e Bélgica para saberem como podem provar os nossos produtos”, revela o chocolateiro.

A longo prazo, diz Tony Fernandes,  a ideia passa por “fazer os nossos próprios” chocolates.

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