Um em cada dez investidores institucionais já usa Inteligência Artificial

“É tentador assumir que a rapidez, eficiência e os menores atritos criam mercados mais precisos e seguros, mas este não é necessariamente o caso. Em muitos casos as ineficiências simplesmente aumentam”, alertou Paras Anand, diretor de gestão de ativos da Ásia na Fidelity International.

Brendan McDermid/Reuters

Os investidores institucionais mundiais prevêem que a tecnologia mude significativamente o panorama da indústria do investimento até 2025, mas grande ainda está a testar as tecnologias emergentes, segundo concluiu o Fidelity Global Institutional Investor Survey.

Cerca de três quartos dos investidores institucionais mundiais acreditam que os avanços tecnológicos vão remodelar a indústria nos próximos sete anos, enquanto um em cada dez (10%) já incorporou a inteligência artificial no seu processo de investimento.

A expetativa dos investidores é que os mercados e a tomada de decisões se tornem mais rápidos, precisos e eficientes quando as novas tecnologias forem aplicadas. A nível global, 62% acredita que os algoritmos nas transações e os sofisticados modelos quantitativos tornarão os mercados mais eficientes e 80% acredita que a tecnologias como a blockchain irão mudar radicalmente a indústria.

“A tecnologia continua a evoluir a um ritmo rápido, proporcionando às equipas de investimento novas fontes de dados vastas e acessíveis. As implicações para a alocação de ativos e a construção das carteiras serão profundas, mas os dados não deverão ser seguidos cegamente”, afirmou Paras Anand, diretor de gestão de ativos da Ásia na Fidelity International.

“É tentador assumir que a rapidez, eficiência e os menores atritos criam mercados mais precisos e seguros, mas este não é necessariamente o caso. Em muitos casos as ineficiências simplesmente aumentam”, alertou.

As instituições reconhecem o impacto que a inteligência artificial (IA) provavelmente terá, com muitos inquiridos a preverem depender desta num futuro próximo para capacidades que incluem: otimização da afetação dos ativos (69%), monitorização e avaliação do gestor / desempenho e risco da carteira (67%), e até criação de carteiras personalizadas sem aconselhamento das gestoras de ativos (39%).

O confronto entre o homem e a máquina cria, no entanto, alguma discordância entre os inquiridos. Mais de metade (53%) acredita que a tecnologia substituirá os papéis tradicionais do investimento. No entanto, muitos sublinharam a importância da relação humana e a maioria (60%) a acreditar que a IA vai aumentar os postos de trabalho em vez de os substituir.

“A Inteligência Artificial não é suficientemente forte para tomar decisões de investimento sozinha, a existência de mais dados pode simplesmente criar o risco de confundir o simples ruído com uma visão de valor. No entanto, se utilizada com prudência, os investidores podem adotar pela IA para melhorar as suas ofertas”, acrescentou Anand.

O Fidelity Global Institutional Investor Survey incluiu 905 investidores institucionais em 25 países, com 29 biliões de dólares em ativos de investimento. Os inquéritos foram efetuados pela Fidelity Institutional Asset Management em parceria com a Strategic Insight, Inc. na América do Norte e a FT Remark, uma Divisão do Financial Times, em todas as outras regiões, sendo que os CEO, COO, CFO, e CIO responderam a um questionário online ou por telefone.

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