Economia circular: um novo paradigma para os desafios atuais

Redução, reutilização e recuperação. São estas as palavras-chave para descrever aquele que deverá ser o novo paradigma: a economia circular.

Pedro Fernandes, Climate Change Technical Manager, APCER

Em oposição ao atual modelo de economia linear, a economia circular consiste em reduzir, reutilizar, recuperar e reciclar os materiais que utilizamos. O objetivo é sobretudo diminuir o consumo de recursos, através do reaproveitamento dos resíduos e das matérias primas não aproveitadas, à luz da velha lei “nada se perde e tudo se transforma”.

Numa era em que a Humanidade leva ao limite a capacidade de produção de recursos do planeta, a economia circular é vista, cada vez mais, como uma solução para um futuro mais sustentável.

Em declarações ao Jornal Económico, a especialista em sustentabilidade Sofia Santos defende que esta pode ser uma oportunidade para a economia portuguesa. “É necessário criatividade e também acesso a financiamento que consiga avaliar corretamente o potencial destes novos negócios”, diz.

Em Portugal, há cada vez mais empresas a integrar elementos de sustentabilidade nas suas gestão. Da banca ao retalho, passando pela energia, são vários os exemplos de empresas que abrem o trilho neste sentido (ver páginas 6 e 7). No entanto, persistem alguns obstáculos. Sofia Santos reconhece os avanços na economia de partilha nos últimos anos, mas defende a importância de alterar a atual “cultura consumista”.

É também neste sentido que realça “a necessidade de escalar o conceito de design circular para todos os bens”. O objectivo é que todos os produtos que consumimos sejam pensados e feitos de forma a respeitar os princípios da economia circular.

Neste xadrez há assim um conjunto de factores que se devem interceptar, tais como a necessidade de estabelecer parcerias, alterar modelos de negócio e alterar o acesso a financiamento.

“Há dificuldade em obter financiamento junto de investidores e banca tradicionais uma vez que se tratam de modelos de negócio novos, com pouquíssimo historial e que, como tal, trazem níveis de riscos elevados quando são analisados de forma tradicional, sendo necessário também desenvolverem-se modelos de análise apropriados a estes negócios circulares”, referiu. A chave pode estar na alteração da regulação, mas com o movimento ainda no início, a dificuldade surge em saber legislar o que se encontra

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