Uma escola para alunos do século XXI: o exemplo do Conservatório de Artes da Madeira

É uma escola que educa futuros profissionais talentosos e bem-sucedidos, mas também pessoas com valores e cidadãos participativos.

Neste mês de Janeiro, um grande amigo meu celebrou a sua bênção das capas. É aluno do Conservatório Escola das Artes da Madeira e essa foi uma oportunidade excelente para conhecer mais de perto o projecto educativo daquela escola e principalmente conhecer a relação entre alunos e professores que é cada vez mais nos dias de hoje um factor crucial para o sucesso educativo de qualquer escola e um factor fundamental para o sucesso escolar dos alunos e o seu sentimento de pertença a esse espaço educativo. A minha impressão prévia sobre a escola era já muito positiva, mas a realidade que eu conheci naquele dia impressionou-me, ainda assim, muito positivamente!

Eu acredito cada vez mais que a escola além da valência fundamental de transmissão de conhecimento e de educação de futuros profissionais, como neste caso a formação nas diversas áreas das artes, é também um espaço de formação de pessoas informadas sobre o meio que as rodeia, preparadas para o mundo global em que vivemos e detentoras de um quadro de valores e moral coincidente com a sociedade que queremos para o futuro.

É principalmente nesta segunda componente de valências que acredito que a escola do nosso século tem que fornecer, que o Conservatório me surpreende. O Conservatório tem oferecido aos seus alunos experiências que mudarão a sua visão do mundo e o seu comportamento perante a sociedade que lhes rodeia. Um exemplo muito concreto disso é as experiências de Erasmus que o Conservatório oferece já a estes alunos do secundário e que lhes permite desde cedo criar uma rede de contactos internacional, conviver em ambientes multi-culturais e crescer pessoalmente com as vivências que seguramente ficarão na sua memória para sempre.

Por outro lado, o Conservatório tem uma forte aposta na aprendizagem fora da sala de aula. A aprendizagem pela experiência, a aprendizagem através do “learning by doing”. Isso permite aos alunos desenvolverem um conjunto de valências técnicas, mas também humanas que lhes serão fundamentais quando entrarem verdadeiramente para o mercado de trabalho. É verdade que o facto de ser um ensino de uma arte facilita o desenvolvimento deste tipo de iniciativas, mas o esforço feito pela escola deve ser reconhecido. Era muito fácil deitar-se à “sombra da bananeira” e deixar as coisas correrem sem grande empenho, e não é isso que acontece.

Por fim, o ambiente e a convivência entre professores e alunos, que eu fiquei a conhecer naquele dia, mostrou-me claramente uma escola que caminha realmente para se tornar numa escola preparada para os alunos do século XXI. O carinho que aqueles professores demonstram para com os seus alunos, o respeito que os alunos têm por eles e a humildade com que os professores se relacionam com os alunos é a base para que uma qualquer escola possa obter sucesso escolar nos dias de hoje.

O Conservatório é assim, na minha opinião, um caso de sucesso do nosso sistema de ensino. É uma escola que educa futuros profissionais talentosos e bem-sucedidos, mas também pessoas com valores e cidadãos participativos. Recentemente foi prometido que as obras de requalificação do edifício são para avançar em breve, obras essas que são neste momento já tão urgentes até por questões de segurança. O meu desejo é que essa promessa se cumpra o mais rápido possível e que se dê condições para que este projecto continue a trabalhar e a atingir este sucesso, até porque os nossos melhores exemplos ainda devem merecer uma atenção mais especial de quem nos governa!

O autor do texto escreve segundo a antiga ortografia da Língua Portuguesa.

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