Uma semana no ‘bullmarket’ mais longo da história

Wall Street renovou máximos, enquanto a Europa resistiu ao contágio da banca italiana. O PSI 20 viveu uma semana típica de agosto, com pouca volatilidade

Brendan McDermid/Reuters

As tensões comerciais continuam a ter um efeito harmónio sobre a evolução dos mercados acionistas.

No início da semana o acordo comercial entre os EUA e o México foi aplaudido pelas bolsas com novos máximos históricos. Nos EUA, os índices Nasdaq 100 e S&P 500 confirmaram o bullmarket mais longo da história, que dura há quase 10 anos.

Porém, esta semana, as dificuldades de entendimento comercial entre os EUA e o Canadá penalizaram as bolsas. Mas enquanto as taxas de juro se mantiverem baixas será difícil nos próximos meses quebrar esta tendência altista.

O forte crescimento do PIB da economia norte-americana divulgado esta semana, de 4,2% no segundo trimestre, sustenta o pleno emprego e as grandes empresas tecnológicas, que continuam a registar máximos históricos.

No grupo FANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google) destacaram-se os novos máximos da Amazon, que tocou os dois mil dólares, e da Apple acima dos 220 dólares. As palavras de Donald Trump têm contribuído para desempenhos mais fracos da Google, do Facebook e da Netflix.

Porém, é preciso lembrar que, em certa medida, o crescimento das grandes empresas tecnológicas é em parte alcançado com a compra e reestruturação de empresas e com o afastamento da concorrência de pequenas e médias empresas. Este processo, positivo, enquanto crivo de seleção dos melhores, pode desperdiçar o talento de alguma força de trabalho. A criação de valor pode, ou não, compensar a saída do mercado de inúmeras empresas. É preciso ter em atenção ao mês que se avizinha, historicamente, o mais fraco do ano, com um desempenho médio negativo superior a 1% nos últimos 100 anos, no Dow Jones.

As praças europeias resistiram perante a hipótese de Itália falhar as metas do défice, o que tem penalizado a banca italiana e a rentabilidade das suas obrigações do tesouro. O mercado acabou por reagir mais ao discurso positivo de Jerome Powell, em Jackson Hole, que continua a relevar o bom desempenho da economia americana, que quer ver refreado através da subida das taxas de juro, para evitar o sobreaquecimento. Porém, esta subida das taxas de juro acabará, mais tarde ou mais cedo, por interromper a tendência de alta das bolsas e provocar uma correção dos ativos. Sempre foi assim: no crash da bolha das ‘dotcoms’ ou na crise imobiliária de 2008. Talvez o BCE não suba taxas a partir do verão de 2019, se a correção acontecer antes. O Japão está com taxas de juro de zero há 25 anos. E a zona euro vive uma “japonização” da sua economia. A probabilidade, segundo os futuros da bolsa de Chicago, é de 96% para uma subida da taxa de juro da Fed de 2% para 2,25% no dia 26 de setembro. E de 65% para alcançar os 2,5% no dia 19 de dezembro.

A bolsa portuguesa viveu uma semana tipicamente de agosto, sem volume e sem voltilidade, e acabou onde começou.

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